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As pernas do Roberto





Conto da Seção Estórias Gozadas, por Liliane Akamine



Ana é uma mulher como tantas outras. Moradora da periferia paulistana, trabalha como doméstica e é apaixonada pelo Roberto Carlos. Seu sonho é ver de perto as pernas dele. A tietagem virou idolatria, a idolatria virou obsessão e Ana passou a perseguir Roberto Carlos onde quer que ele estivesse. Se soubesse que ele desembarcaria em São Paulo, lá estava Ana um dia antes aguardando ansiosamente. E, quando via de longe o tumulto que indicava a presença de seu muso inspirador, Ana gritava: “Roberto, mostre as pernas!”


João é um homem como tantos outros. Morador da periferia paulistana, trabalha como pedreiro e é apaixonado por futebol. E por mulheres. Seu sonho é encontrar uma mulher para chamar de patroa. Boa praça que é, João é muito conhecido e respeitado na região de Heliópolis e é este conhecimento que gera a maior parte de seu sustento, pela indicação de conhecidos. Em uma dessas indicações João foi chamado para auxiliar na reforma de uma mansão no Morumbi. Mas não era qualquer mansão, e sim a mansão do jogador Roberto Carlos.

João trabalhava muito feliz e ganhava mais do que de costume. Aos finais de semana, João freqüentava o forró Ás de Ouro e em uma dessas idas conheceu uma bela morena que dançava o Arrocha na pista:

- Oi buniteza, qual sua graça?
- Ana. Disse ela, abrindo um sorriso sincero.
- João, seu criado. Nunca te vi por essas bandas.
- É que trabalho bastante. Sou doméstica e só dá pra mim vim uma vez por mês, cê sabe né?
- Ah, tendeu. Eu sou mestre. De obras. Trabalho na mansão do Roberto. Roberto Carlos, né, mas não gosto de ficar assim me gabando.

Neste momento os olhos de Ana brilharam e ela teve a reação mais nonsense de sua vida. Virou-se para João e disse: - Eu te amo.

João, sem entender, só teve tempo de agarrar a dama pela cintura e levar até o toillete. Lá ele só se deu ao trabalho de abrir sua braguilha e sentar no vaso. Ana já havia tirado a calcinha por baixo da saia e sentou com força naquele membro rijo, fazendo movimentos frenéticos, talvez excitada por ter ouvido o nome de Roberto Carlos. Os gritos de gozo foram abafados pela banda de forró que gritava no palco e em menos de dez minutos eles já estavam de volta à pista, aos abraços e beijos.

Os dias foram passando e o casal estava cada vez mais apaixonado. Eles se encontravam às sete da noite todos os dias, em frente ao boteco do Bigode e lá João contava como tinha sido seu dia na mansão de Roberto e dava detalhes da casa, enquanto Ana se imaginava lá dentro, com o próprio Roberto Carlos. A conversa sempre acabava em sexo, onde quer que fosse. Um tesão incontrolável tomava o corpo de Ana e ela nem esperava chegar em casa, já começava a se esfregar em João no meio da rua. Certa vez, de tão excitada que estava, Ana chupou João dentro do ônibus, no último banco. João percebeu que o cobrador viu e nunca mais deixou Ana andar sozinha naquela linha.

Próximo a completar um mês de namoro, João queria fazer uma surpresa a Ana. Queria algo grandioso, que marcasse aquela data e mostrasse a ela o quanto ele desejava tê-la como “patroa”.

João teve uma idéia: apresentar Ana a Roberto Carlos. Mas como? Não queria que o chefe percebesse que ele era um paga pau dele, pois pegaria mal. Também não queria comprometer seu trabalho, afinal faltava menos de um mês pra ele receber a outra metade do dinheiro da reforma. João passou uma noite em claro, pensando em como presentear sua amada e teve uma idéia. Ligou logo cedo pra Ana:

- Coração, sábado a gente faz um mês junto né? Vou te levar num lugar que você nunca vai esquecer.

Chegado o grande dia. Às seis e meia, João pegaria Ana em frente o boteco do Bigode. Era sábado e João trabalharia até o meio-dia. Naquele dia Roberto Carlos chegaria cedo dos treinos, pois não jogaria no final de semana. João terminou seu trabalho, tomou banho e deu início ao plano mais bizarro já arquitetado por um apaixonado. Ele sabia que aos sábados, depois que ele e seu colega pedreiro saíam, as únicas pessoas que permaneciam na casa era o segurança, a cozinheira e dois cachorros enormes, além do próprio Roberto. João começou rendendo o segurança com uma gravata, e como o mesmo reagiu, não teve outro jeito: João feriu o homem com uma facada nas costas. Os cachorros começaram a latir e logo João teve que dar um fim neles também. Faltava a cozinheira. João foi até as dependências dos empregados e Dona Célia estava tomando banho, aí foi moleza. Em poucos minutos o corpo da senhora de quarenta e poucos anos fazia companhia ao do segurança.

João ainda aguardou na guarita e, quando Roberto Carlos chegou, fez questão de abrir o portão automático. Logo foi até ele e, com uma punhalada, o deixou desacordado, o que permitiu que João o levasse até o quarto e o algemasse na cama.

Seis e meia e João estava no boteco do Bigode, esperando sua amada. Ana chegou perfumada e com o batom vermelho que comprara especialmente para aquela ocasião. João fez questão de ir de taxi até o local da surpresa. Quando chegou à mansão, João vendou os olhos de Ana e a guiou até o quarto de Roberto Carlos, onde o mesmo estava algemado na cama. A intenção de João era que sua amada conhecesse o ídolo e ficasse tão excitada que fizesse qualquer coisa por ele naquela noite.

Quando entraram no quarto, João tirou a venda dos olhos de Ana. E lá estava a cena: João querendo impressionar sua amada, Roberto Carlos amordaçado e algemado na cama, e Ana estarrecida.

- Quem é este careca, bem?
- Ué coração, seu ídolo, Roberto Carlos. Esta é a surpresa: eu, você e o Roberto olhando a gente se amar. E eu deixo você sentar na perna dele viu? Hoje a noite é sua.
- Não, bem, você não entende. Eu não sei quem é esse careca. Olha meu senhor, peço desculpas pelo acontecido. Meu sonho é sentar na perna do Roberto Carlos, o rei, o cantor.
- O cantor?? Porra, Ana, ele tem perna mecânica! Você sabe o que eu fiz pra te fazer essa surpresa?
- Desculpa bem, mas você nunca me perguntou. E sinceramente, eu nunca vi esse careca aí, nem sei se ele sabe cantar “As Curvas de Santos”.
- E esse careca aqui, você viu? Disse João, tirando o pau pela braguilha e balançando.
- Esse careca aí eu conheço, conheço bem. Nunca vi cantando,mas o dono dele sempre me canta.
- Então vem dançar pra ele, minha gostosa.
Ana e João começaram a se esfregar ali, no quarto de Roberto Carlos, enquanto o jogador permanecia algemado e amordaçado na cama. E Ana disse:
- É “seo” careca, é assim, o côncavo e o convexo, nosso amor no sexo.


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