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Poeszeja 4 - Natalinos

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É Natal. Então, nada mais justo do que postarmos, neste dia, poemas natalinos! Nesta ocasião excepcional relacionamos poemas de ilustres como Drummond e Bandeira em conjunto o de Ju Blasina e de Wellington Souza, colunistas do site.



Ju nos brinda com uma reflexão sobre o ciclo anual... "Não existe limite de velocidade para ser feliz!" e Wellington com uma piadinha sobre a desinfanlização precoce (a crença no Papai Noel em contraste com os presentes desejados). O poema de Drummond foi escolhido pela irreverência com que desconcerta um 'bom velhinho' ao mesmo tempo em que constrói um poema singelo (sua  grande marca) e o de Bandeira, retirado do pequeno livro Belo Belo, representa a forma mais singela e pura do que é essa data para os católicos.

Boa leitura!

Wellington Souza



E novamente acabou...

E novamente acabou...
Como a fênix que morre para renascer,
Como a noite que dorme para amanhecer,
Como a chuva que cai para florescer,

E foi alegre e foi triste,
Dias nublados, e outros de tanto sol.
Tanto se fez,
E outro Tanto que ficou por fazer,

Mas agora, tudo bem... Tanto faz...
Na aquarela das memórias
Não existem tantas cores para se pintar os sentimentos.

Tudo que se falou,
E o que se deixou de falar,
Tudo que se doou,
e o que se pode ganhar.

Olhe para frente: o caminho que ficou para trás
É tão cinza
Se comparado ao arco-íris que está por vir.
Então vamos! Dê o primeiro passo
Ou bata as asas, se assim preferir,

Não existe limite de velocidade para ser feliz!
Só antes, livre-se das moedas antigas,
Elas só sabem pesar e
As maiores riquezas não moram nos bolsos

Abra os braços, a mente e o coração,
E não economize sonhos,
A todo um mundo de esperanças
De novas cores e páginas para colorir,
Neste ano, novinho em folha que vem aí!



Papai Noel às Avessas
Carlos Drummond de Andrade in Alguma Poesia


Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai entrou compenetrado.

Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.

Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.

Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.



Canto de Natal
Manuel Bandeira in Belo Belo

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino,
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.



... do Papai Noel

Carrinho boneca bola
figãozinho, vassourinha, bercinho
peteca bolinha-de-gude

e até importados:
video-game skate patinete

a molecada jogou fora,
pois a cinta-liga e o soco-inglês
ficaram para a próxima visita...

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Créditos da imagem:
Merry Christmas, por Nelson F N Martins

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