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A Confissão






Entrevista, por  Giselle Jacques

Nascido no Rio de Janeiro, mas criado desde pequeno em Porto Alegre, o escritor e agora curta-metragista Washington dos Santos – ou apenas Dos Santos, como ele prefere – tinha o sonho de ser jogador de futebol. O talento, contudo, não ajudou e, por esse motivo, resolveu voltar seu foco aos estudos, mais especificamente aos livros de ficção. Começou com Sherlock Holmes e toda coleção do Harry Potter. A partir daí não parou mais.


A seguir, Dos Santos fala sobre literatura e cinema em entrevista exclusiva à Comunidade Benfazeja.

Benfazeja – Como é escrever uma história?
Dos Santos – Na imaginação, é a coisa mais fácil do mundo. Tenho mais de 100 histórias ótimas, mas é aí que vem o tormento. Transpor isso para o papel é extremamente cansativo, fazer as pessoas entenderem o que você imaginou é bem complicado.

Benfazeja – De todas as mais de 100, para você, qual a sua melhor história?
Dos Santos – É uma história chamada “Miragem” inspirada em “Lost”, uma série que eu adoro. Ela mescla ciência com espiritismo tentando explicar a origem de Deus. Pessoas aparentemente mortas acordam no meio de um deserto misterioso, dentro de uma tenda. O conto está sendo escrito em formato de minissérie. Aqui vai um trecho do primeiro capítulo:
“Taison arranca uma das cortinas, coloca na cabeça e sai da tenda, mas ele só vê deserto. O sol está muito forte, a sensação era de mais de 40 graus. Ele começa a caminhar pelo deserto, caminha durante uns 30 minutos e encontra outra tenda. Ele corre pedindo socorro. Entra correndo, procurando alguém. Ele olha em volta e pra seu espanto é a mesma tenda. Ele não entende, não podia ter andado em círculos, ele resolve sair de novo na direção contrária, mas o resultado é o mesmo, não importa em que direção ele caminhe, todos os caminhos o faziam voltar pra tenda. Depois de fazer isso várias vezes, ele caí cansado dentro da tenda”.

Benfazeja – O que o levou do universo das letras ao das imagens?
Dos Santos – Foi a magia do cinema. Apesar da literatura ser uma coisa maravilhosa, o cinema é algo único e incrível. Ver a sua idéia se tornar visível, não só pra ti, mas também pra outras pessoas, é algo sensacional.

Benfazeja – Como é para um contista mudar de forma e encarar um roteiro? Quais as diferenças que mais marcaram?
Dos Santos – É difícil. A liberdade que o conto permite ter, e que é perdida no roteiro, foi umas das coisas mais duras nessa transição. Regras nunca foram o meu forte e isso é uma das diferenças a que tenho de me adaptar.

Benfazeja – A sua temática remete sempre a terror/suspense. De onde vem esse gosto?
Dos Santos – Pode parecer até mentira, mas eu não sou fã de filmes de terror. Por incrível que pareça eu acho mais fácil e divertido escrever textos com temáticas assustadoras, isso remete a minha infância. Quando eu era pequeno, meu pai me obrigava a ver filmes de terror, me lembro até hoje de um filme chamado “A Experiência”. Tive pesadelos durante meses e até hoje me sinto mal vendo esse filme. Hoje, inconscientemente, acho que eu quero passar esse terror para o resto das pessoas.  

Benfazeja – Como foi para você assistir a transformação do texto em imagem na hora da gravação? Como é ver a ideia na telinha?
Dos Santos – Um sonho sendo realizado! Ver outras pessoas lendo e gostando do seu texto é maravilhoso, mas assistir o projeto pronto foi uma sensação de prazer, de dever cumprido.

Benfazeja – Algum plano para continuar no mundo do videografismo?
Dos Santos – Planos vários, um mais absurdo que o outro, mas o certo é que vou continuar escrevendo e assim que aparecer uma oportunidade, agarrar com unhas e dentes.

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2 comentários:

  1. Esse é meu bruxo, um bom produtor, e joga muito futebol também. Vai longe esse cara ae.

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  2. Grande talento! Lembro daquele "filme" que fizemos sobre uma obra do José de Alencar para ser exibido na aula de literatura, isso á uns bons 5 anos atrás. O resultado infelizmente não foi o esperado, mas pelo menos nos divertimos muito. hsuashauhsaushaushas

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