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Nascimento e demolição




Poemas, por Wellington Souza.


À Albert Camus





Expulsão
Não me recuperei
do trauma
de ter nascido.








Versos livres e um náufrago
Um ar aquoso
toma-me
os pulmões
e vaza pelos olhos
e nem se quer me dou conta e vou
morrendo
assim mesmo
como que a escrever um poema
ou a ser tragado pelo ar ressaqueado






Absurdo
Uma pedra imóvel.

E tão absurda quanto
pedra parada,
a água escorre
pelo declive.

Um homem procura novamente o amor e novamente o amor
um homem não chora no velório da mãe
um homem fica levemente contrariado ao se transformar em uma mosca

Talvez a pedra role por si
ou a água empoce antes do lago,
pois um homem se demoliu e escreveu um poema.






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Créditos da imagem:
Subindo a nascente 3, por João Esteves


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