I Concurso Literário Benfazeja
em torno do que amamos: livros e literatura

O segredo




Crônica, por Mariana Collares.


Ok, sem meias-palavras, vou contar o que eu sei. O que levei anos e choro para descobrir. O que não está escrito em lugar algum, o que se intui de toda essa loucura chamada vida, onde todo mundo é chamado a atuar sem direito a ensaio.



Vou dizer de uma vez por todas o que todo mundo deveria saber e não sabe. Ou não quer. Porque os manuais são mais consoladores, como se houvesse algo nesse mundo que se pudesse fazer pra mudar o que é. Como se dependesse de um ato individual a mudança no sentimento dos seres, no desenrolar do imprevisto.

Pra começar vou dizer que o amor e o desamor são absolutamente coincidências. Não, esqueçam os livrinhos de autoajuda. Não há nada no planeta inteiro e em toda a tua personalidade que possa fazer o amor amar e o desamor deixar de desamar. As coisas são e só. Se ama quando e do jeito que se está pronto pra amar. Se desama sem hora marcada. E por que isso acontece? Nem o amor, nem o desamor sabem. É como nós na vida. Estamos aqui, um dia nascemos e um dia vamos morrer... ninguém sabe porque. Acontece e pronto.

Então paremos, por favor, de ficar inventando desculpa, de ficarmos nos reciclando para um “outro” porque a única coisa que podemos fazer é sermos felizes com o que está por vir. Quando ele acontecer, legal, show de bola, amamos e somos amados. Quando acabar, é isso, não há regra de como fazer pra perdurar o que um dia morreu. O amor não é Lázaro... não adianta. Ele tem hora marcada, como tudo. Por que? Porque nada é eterno. Não do jeito que conhecemos ou que queremos. Porque tudo se transforma e pronto. E o amor se transforma em desamor. É isso.

Assim, não percamos mais tempo tentando ser o que não somos. O melhor que podemos fazer nesse ponto é sermos nós mesmos. O universo, então, trabalhará a nosso favor, tenhamos certeza. Afinal, alguém lá em cima certamente nos ama ou não nos teria chamado para o “emprego” de sermos seres pensantes tempo integral.

Bom, o que mais dizer. Tudo passa. Sim, passa, não adianta. O “timing” de tudo tem um fim. Pode demorar, mas passa. Podem passar anos, longos e chorões, mas passa. Bom, passou muito tempo e você se arrependeu. Azar. O tempo passou e o que quebrou não se restaura. Não da mesma forma. É o fim? Talvez não. Talvez seja o início de outra coisa, diferente, não a mesma, mas outra. Nova. Então também não há regra sobre isso e tudo o que você sabia a respeito morreu porque aquele ser se transformou nessa coisa nova. Difícil, não? É, ninguém disse que seria fácil, amigo...

O que mais? A vida é agora. Tá, isso você já sabia. Será? Então me diz porque deixar pra amanhã o que você deveria ter feito hoje? Amanhã poderá ser o tal apocalipse. Você pode tropeçar numa pedra e babau... terminou a chance. O que você perdeu? Vai saber... você não tentou ver o que seria... então vai ficar na curiosidade... eterna curiosidade, porque mesmo que haja outra vida você não será mais o que fora nesta. O jogo vai começar de novo e pior.. você vai perder a memória, meu amigo... vai ter que começar a caminhar novamente... tudo, tudo de novo... folha branca... sabe como é...

Por fim – ame!!! Você pode querer viver uma vida morna, sem grandes sonhos e pesadelos. Porque sem “tesão” os sonhos, acredite, não são grandes... são sonhinhos... sem doce-de-leite dentro... no fim, no fim de tudo, mesmo que você tenha enfiado o pé na jaca mil vezes, mesmo que tenha pagado mico e outras tantas coisas terríveis e constrangedoras que possam te ocorrer, você amou. Você foi absolutamente verdadeiro. E isso não tem preço... nem o “máster” paga, querido... não mesmo...

O que acontece com quem não ama, por medo ou incompetência? Não joga. Tá aqui passando férias, não tá vivendo... Tá aqui de passagem, pegando mosca... e vai ter que voltar e reviver as mesmas coisas até tomar jeito e começar a brigar... porque quem se esconde atrás da moita e deixa a vida passar, ah, esse volta... e volta... e volta... e tantas vezes volta que um dia vira a própria moita. Triste, não? Pois é...

Então? O segredo tá revelado. Agora vai começar a viver ou vai recomeçar a ler da primeira linha, pra ver se não há nada por trás disso tudo que de repente queira dizer justamente o contrário... afinal, a verdade - essa desce pela garganta como moeda no gargalo: fazendo barulho, convidando a olhar pra ela.

Então é isso. O segredo aí está. Parece mais assustador quando se sabe? Não concordo. Agora sim dá vontade de viver... agora sim o jogo virou jogo... não tá escrito em lugar algum. Só cabe a nós e a essa maravilhosa surpresa chamada acaso.

Boa partida!


***



(Texto extraído do livro DEVANEIOS LITERÁRIOS, de Mariana Collares, Ed. Bookess, 2010, disponível em http://www.bookess.com/read/5947-devaneios-literarios/).

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Créditos da imagem:
love foolosophy , por Paulo Franco

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