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Cinema e Literatura



Conversas literárias, por Iracy de Souza.

O tema de nossa “ Conversa Literária” de agora é o Cinema. Não para contarmos a história do cinema, mas para tentarmos perceber que a essência do cinema é o movimento. Mal compreendida por muitos, somente tendo sido captada pela genialidade intuitiva dos grandes cineastas que, cada um a seu modo, inventaram e compuseram imagens e signos. O filósofo francês Gilles Deleuze estará em foco, considerado difícil pensador, um pensador cuja elegância criativa das ideias só é ombreada pelo grau de exigência com seus leitores. Em seus seminários, apresentou a ideia profética: ser inevitável que a cinematografia falada “tomasse por objeto privilegiado as formas sociais aparentemente mais superficiais” e que “quanto menos estrutura social preexistente houvesse melhor se exalariam não uma vida natural muda, mas formas puras de sociabilidade, passando necessariamente pela conversa”.



Apresento uma tentativa de leitura do filme O Encouraçado Potemkin, de Serguei Mikhailovitch Eisenstein em um artigo intitulado: Os conflitos em “O encouraçado Potemkin”, por Iracy de Souza. Procurei enfatizar a angústia que é capaz de levar o homem a meditar em torno do seu próprio destino, o conceito primeiro - plano rosto, a montagem e o conflito. Contei com apoio teórico do texto de Gilles Deleuze “Cinema e a imagem – movimento” [1] que é uma tentativa tipológica de analisar a forma das três teses Henri Bérgson e sua contribuição para a formação de um novo discurso. Bergson analisa o movimento, como é visto pelo homem, em termos de suas unidades instantâneas, assim como o próprio cinema o decompõe em sua produção técnica. “Aquilo que faz uma imagem-movimento visível não é uma luz, vinda, por exemplo, de um projetor, mas outra imagem, apresentada antes ou depois”. Um caubói filmado de frente, parado observado o horizonte, imagem-percepção. Quando vemos o que ele vê, é a imagem – ação, o movimento do plano e a imagem afecção, certamente será a flechada que o caubói recebe. Aquela do plano aberto, essa que realmente nos afeta.

Outro artigo é do professor da UERJ, James Arreas. Seu trabalho aproxima a noção deleuziana de imagem-pulsão à experiência cinematográfica de David Lynch. Seu artigo chama-se; David Lynch: entre o afeto e a Ação. O professor define o cinema como sendo a manifestação direta de um pensamento em movimento e que realiza a metafísica nas imagens através do movimento e do tempo. Um terceiro artigo de Mirian Tavares, Cinema e Literatura: desencontros formais. A autora procura fazer uma relação entre Cinema e Literatura, segundo ela, a partir de um determinado momento, no qual o cinema descobre seu potencial narrativo. Ele absorve o modelo narrativo do romance do século XIX. E nos induz a uma reflexão: na era da imagem digital, onde a plasticidade do meio permitiria grandes vôos formais, e pergunta, por que o cinema ainda continua preso a um modelo narrativo que já foi superado pela própria literatura?

Boas leituras

Iracy de Souza


[1] A imagem- movimento, publicado originalmente na França em 1983

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ARTIGOS

O conflitos em "O encouraçado Potemkin", por Iracy Conceição de Souza

Cinema e Literatura: desencontros formais, por Mirian Tavares

David Lynch: ente o afeto e a ação - Nota sobre a imagem-pulsão de Deleuze, por James Arêas


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Créditos da imagem:
Cinema Francês, por Paulo Madeira

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