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Crônica, por Mariana Collares.

"...deixaremos de ser tão carentes e inseguras e cheias de preconceitos..."

Os homens foram criados no século XXV, as mulheres no século XIX. E não adianta brigar, esta é uma constatação.



Se formos pensar na diferença de culturas que regem o masculino e o feminino, principalmente em nossa sociedade ocidental, nos assombramos que ainda possamos conviver na mesma época e no mesmo espaço geográfico. Não, não é exagero.

Para você ter uma idéia, enquanto um homem foi criado jogando playstation, uma mulher cresceu ouvindo contos de fadas. Enquanto um homem é criado para exercer toda a força da sua individualidade, a mulher se desenvolve para a agregação. Por isso o contraste enorme. Por isso o conflito não só de gerações (porque estamos há anos-luz de distância) como de comportamentos, filosofias, tudo.

Me admira, sobremaneira, que ainda possamos coabitar o mesmo espaço cósmico... O sexo tem, realmente, muito de responsabilidade por isso. Não fossem os hormônios, não sei o que seria da evolução... E não se trata de achar erros e acertos nos dois modos de viver e se auto-determinar, trata-se de entender o porquê dessa enorme lacuna entre nós, e mudar ou não aquilo que seja necessário para vivermos mais felizes.

Na verdade, acho que nós, mulheres, é que estamos fora do nosso tempo. E isso porque o tempo não volta, e novos conceitos acabam, inexoravelmente, por mudar tudo ao redor.

Mais, temos muito medo que, ingressando nesse novo tempo, percamos aquilo que nos torna femininas.

Fala-se muito de masculinização pelo trabalho, ou que o ingresso da mulher no mercado social e laborativo fez com que perdêssemos o foco no nosso papel social e biológico. Discordo.

Sem perdermos a noção de grupo, sem perdermos a necessidade de integração e a própria condição maternal – tão biológica – precisamos é reinventar um modo de vivermos bem com o lado B do disco.

O tempo não parou. Nos desromantizamos, sim, e isso foi inevitável. O mundo não se mata mais por amor mas troca de carro, muda o visual, viaja, muda o parceiro. Não, não estou fazendo uma ode ao desamor. Não mesmo. Estou é querendo reinventar a nossa forma feminina de vermos e vivermos para justamente usufruirmos bem e de uma maneira feliz de todas as novas formas de amor que andam por aí, onde a maior, e a mais importante, é aquela que nos ensina a cultuarmos o amor-próprio.

Só assim nos integraremos bem realmente com o lado masculino do mundo. Porque deixaremos de ser tão carentes e inseguras e cheias de preconceitos a nos dizer quando temos que procriar e que uma mulher que não é mãe não é mulher e que a relação com o sexo tem que ser como religião, e o tal mito da imaculada, que ainda nos persegue, vai continuar a jogar água no nosso prazer. É isso. Simples e duro.

Reinvenção. Essa é a palavra.

Talvez possamos começar jogando o tal playstation...
***


(Texto extraído do livro DEVANEIOS LITERÁRIOS, 1ª Edição, Ed. Bookess, 2010, disponível em http://www.bookess.com/read/5947-devaneios-literarios/)


Blog Pessoal: www.devaneiosliterarios.blogspot.com
Twitter: @marianacronista
Facebook: www.facebook.com/mariana.collares

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Para ler mais crônicas da autora, clique aqui.

Créditos da imagem:
Também quero uma PSP!!, por Streetdog

5 comentários:

  1. Pois é, minha querida. Masá verdade, é que a mulher, na busca pela igualdade acabou confundindo termos, expressões e comportamento, afastando-se da sua essência que não tem - e não deve - necessariamente ser eliminada para conviver com o lado oposto. Existe na mulher força e inteligência suficientes para a convivência sem perder os seus valores.Entetanto, quando ela tenta fugir dessa ess~encia tão sua e "igualar-se" ao masculino, ela se perde, se desvaloriza, porque já não é ela mas uma mera e ruim, diga-se de passagem, imit~ção de si mesma.

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  2. Os homens que tem muito dinheiro arranjaram outros que tem muita subserviência e ambição para trabalharem para si e criarem mecanismos que permitam manter distância competitiva entre homens o mulheres para manterem seu status quo (e sua grana, claro) . Acho que esta é a formula para se manter ambos oprimidos e um querendo um lugar a mais do que o outro (generos masculino e feminino).Nesta perspectica, nunca encontraremos uma harmonia . Isso é apenas a minha tosca opinião. Sua ótima crônica nos estimula bastante para reflexões. Abraços. paz e bem.

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  3. Obrigada! A ideia é justamente esta: nos fazer refletir! Abraços!

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  4. Sempre percebi essa distância que nos separa dos homens (de séculos). Mas nunca pensei que nós, mulheres, é que deveríamos nos reinventar. Não é o mesmo que dizer que os homens são mais evoluídos e as mulheres é que estão atrasadas? Não sei, acho que essa reinvenção tem que ser coletiva. Se devemos jogar playstation (e já jogamos!), talvez eles devessem ouvir um pouco de conto de fadas... Acho que a educação da criança deve ser mais integral, um sexo aprendendo com as peculiaridades do outro. Realmente, seu texto faz refletir (hehe). Beijos

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  5. Estou ADORANDO a discussão (extremamente proveitosa)! A ideia é exatamente essa. Obrigada pelos comentários.

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