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Poeszeja 7 - Indrisos




Não, o tema não é novidade por aqui (assim como não deve ser em lugar algum que tenha relação com a poesia contemporânea). Em nosso segundo mês on-line e sob coordenação de Cláudia Benegas (primeira brasileira a escrever um indriso) publicamos, nessa mesma seção, alguns poemas e também um artigo.



Para conhecer outros locais em que poetas e teóricos trocam informações e experiências (sobre esta forma poética e outras), acessem a seção Comunidades (Indrisos).

Abaixo estão alguns poemas de leitores e também de colunistas do site. Que eles sirvam de inspiração para quem se enveredará por essa poética.

Abraços e ótima leitura.

Wellington Souza
Editor


Retrato de interior em verso: mulher nua apoiada na janela
Isidro iturat


Pois que não saberiam as minhas mãos retratar-te
com os pinceis úmidos e sua policromia
terei de usar palavras para imortalizar-te:

o sol possui os teus seios, tuas nádegas a penumbra,
és a meia lua que na metade do dia
de fora para dentro tenta, de dentro para fora alumia.

Assim de formosa és, a invocação da arte:

corpo, amor, ar, sonho... a obra se vislumbra.

Texto original em espanhol Indrisos El manantial y otros poemas. Aqua secunda.



Outra definição infrutuosa do termo “poesia”
Isidro iturat


“Palavra ritmicamente ordenada...”,
ou veículo visível para a alma
invisível, ora o rio que mana

alimentício, ou a sede que não acaba,
mulher mistérica nua na cama,
deus que sopra, ou uma má álgebra.

Ou o assombro, ou o amar, e/ou a raiva.

O pleno todo, o carente nada.

Texto original em espanhol: Indrisos El manantial y otros poemas. Aqua tertia.



Pleno de esplendor
Rommel Werneck

"O grito que ora prendo é só por ti..."
Ronaldo Rhusso


Grita a Cruz as virtudes esquecidas
Gotejando fulgores, uns matizes
Que invadem minhas lúgubres feridas...

Há sacrossantas flamas que, em deslizes,
Encantam-me num êxtase de vidas
Dando alvuras aos sonhos infelizes

E penso que és tão pleno de esplendor

Porque o cedes a todos com amor!





Beleza
Rommel Werneck

Pétalas belas, pluma bem brilhante,
Brisa tu és, sublime bruma amante,
Que me bebe no abraço brutamente...


Braços abertos, brunos paraísos,
Pelas vagas dos beijos imprecisos,
Pelo bravo brasão palidamente...


Pétalas murcham, plumas caem tortas...

Braços flácidos ficam, brumas mortas...




Sonora
Cláudia Banegas

Apesar de sonora, não sou canção
E sem ser ave, pousa agora uma inspiração
Cujos versos em rima se acomodam, sem refrão

Um instante, fico muda, presa aos meus pensamentos
Nada mais me importa ou interessa
A não ser viver tais momentos

Sou sombra, sou suspiro, sou uma gota suada

Sou a serra, o vale, o córrego, sonhos na madrugada




Amor de Borboleta
Cláudia Banegas

Como bailam borboletas, em meio às flores nos jardins
Meu coração se aquece quando percebo
Que só assim te tenho pra mim

Deixando-te livre para ir e vir, sem rédeas ou redes
Sem nada que te prenda, que te segure enfim
Esse é o amor que permanece, o da liberdade

E em meio à lágrimas de alívio, quedo quieta a pensar

Que não existe em mim outra escolha, a não ser te amar




Feridas Secas
Alex Azevedo Dias

Ventos errantes cortam os rachados lábios de batom.
No trovejar da capoeira, dissipa-se o pálido mau tom.
Cacos de saudade esfacelam o rosto oprimido, sem dom.

Quanto ainda esperar-lhe-ei, com esse grito oco e sem som?
A falta vem em galopes febris para arrancar-lhe o que é bom.
Pode um homem maltratado tocar o amor no velho acordeom?

Caia a noite. Agudo coração vazio. Iludia-se pela chegada de quem não foi.

Amanhecia. Vazão sem rio. Arrependia-se por não ver. Não falar um “oi”.



Desejo e castidade
Wellington Souza

Passo os dedos em sua boca
e a abro o lábio inferior,
como se pudesse te fazer pedir.

Passas os dedos em meus olhos
e fecha-os como em um cadáver querido,
mas não podes me fazer sonhar.

Há a demanda insatisfeita.

Há a oferta insatisfatória.



Ruas
Yayá Portugal

Ruas sem saída,
Becos de guarita,
Voltas de certeza.

Chove na avenida
Velha e corroída,
Lua que goteja.

Passa o tempo e a vida,

Passa o que corteja.


Biografias resumidas

Isidro iturat
(Vilanova i la Geltrú, Barcelona, Espanha, 1973). É escritor e professor de língua e literatura espanhola e reside em São Paulo, Brasil, desde 2005. É o criador do indriso e autor do site Indrisos.


Rommel Werneck
Rommel Werneck é fundador e diretor com Gabriel Rübinger do grupo de releituras literárias Poesia Retrô. Formado em Desenhista de Moda e Vestuário pela ETE José Rocha Mendes (2006) e graduado em licenciatura plena em Letras pela UniPaulistana (2009). Curador do Sarau Poesia ou Morte! e editor-correspondente do jornal culturalista piauiense O Piagüí. Membro da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores e Aspirante da Sociedade Histórica Desterrense. Editor-geral do ‘Stamos Kilts! , o primeiro blog brasileiro sobre kilt. Colunista do site literário benfazeja desde janeiro de 2011.


Cláudia Banegas
Escritora brasileira nascida em Recife (PE), morando atualmente no RJ. Primeiro livro publicado em 2007, pela CBJE, "Metamorpho - Transformações nos Ciclos da Vida". Poesia "Girassol" publicada na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, nº 39, Setembro/2007, CBJE.


Alex Azevedo Dias
Sobre o autor:, escritor e psicanalista.
blog: travessias psicanaliticas


Wellington Souza
é paulista e está prestes a se graduar economista. Escreveu para o jornal acadêmico 'O Tablado' (FEA-RP/USP) e para a revista Samizdat, além participações diversas antologias de poemas e contos. É editor do site literário benfazeja.


Yayá Portugal
Ganhadora de uma menção honrosa pela editora Guemanisse.
Seu blog: Artes e escritas


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Créditos da imagem:
Domínio Público. Editada por Wellington Souza

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