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Baby e a descoberta



Crônica, por Mariana Collares.




Baby era cientista. Sim, cientista.

Psicóloga formada, pós-graduada, letrada e supersuperdoutorada em psicologia.

Estudava muito o aspecto humano, o ser individual e coletivo, o ser vivente e existente. E, como super-doutora, sabia muito do outro, dos anseios gerais e específicos. Enfim, de tudo o que dissesse respeito ao gênero humano.



Um dia Baby olhou para o espelho. Viu, não um anseio geral e específico, mas uma indagação. Um quase-esboço dela mesma. E então Baby saiu de casa e caminhou tanto que começou por comprar sapatos. Porque queria ir mais longe. E comprou muitos e todos muito lindos. Porque queria ir melhor. E então Baby pôs gloss nos lábios. Porque queria dizer o que pensava. Mas de um jeito mais doce. Foi quando sorriu pela primeira vez com sabor de cereja.

E então Baby inaugurou um novo guarda-roupas, e usou muitas cores e muitos panos novos. Porque ela queria se amarrar à vida de uma forma nova, e totalmente dela.

Baby, depois, comprou muitas jóias. Porque queria brilhar mais e mais, e sempre de um jeito puro – e por isso preferiu as pedras.

Um dia Baby pintou os olhos. Porque queria enxergar mais profundamente. E colocou blush. Porque queria enrubescer o mundo.

E então foi que Baby descobriu uma nova forma de existir. Porque foi fundo.

Baby, hoje, é a cientista de sua própria pessoa. E tudo o que procura, está em si.

Os outros? Os outros são um reflexo dela mesma e desta nova forma de inaugurar o próprio ser.

Porque os outros só passam a existir quando nós mesmos temos a noção perfeita de onde e quando começamos.


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Créditos da imagem:
UM TOQUE, sempre um toque, ao de leve, por João Neto

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