I Concurso Literário Benfazeja
em torno do que amamos: livros e literatura

Conversas literárias: A Vida



Conversas Literárias, por Iracy de Souza.


Falar da vida foi nossa proposta para a Seção Conversas literária no mês de abril . Decerto que escrever não é impor uma forma (de expressão) a uma matéria, a do vivido. Escrever não é narrar as recordações, as viagens, os amores e o luto, os sonhos e os fantasmas. A literatura tem a ver com o informe, com o inacabado. Escrever é uma questão de devir, sempre inacabado, sempre a fazer-se, que extravasa toda a matéria vivível ou vivida. É um processo, quer dizer, uma passagem de Vida que atravessa o vivível e o vivido. A escrita é inseparável do devir. Nesse sentido é que iniciaremos nossa conversa homenageando Igor Moraes da Silva e seus colegas de escola que nunca mais poderão sorrir com os olhos, a não ser, nas lembranças de seus verdadeiros amigos.



Falar da vida é falar de sociedade e precisamos falar de sociedade, sempre. Conversas Literárias escolheu o pensamento de Norbert Elias sociólogo alemão nascido em Breslau em 22 de junho de 1897, de família judaica, exilado na França em 1933, quando Hitler se tornou chanceler da Alemanha, posteriormente estabeleceu-se na Inglaterra onde passou grande parte de sua vida. Infelizmente seus trabalhos tiveram reconhecimento tardio. Selecionamos o trabalho de Tatiana Savoia Landini em que busca definir os princípios básicos da sociologia de Norbert Elias, ou seja, responder à pergunta: o que é fazer uma pesquisa seguindo a tradição eliasiana? Ao longo do trabalho, serão definidos os quatro pontos que melhor caracterizam a sociologia processual: sociologia diz respeito a pessoas no plural (figurações); as figurações formadas pelas pessoas estão continuamente em fluxo; os desenvolvimentos de longo prazo são em grande medida não planejados e não previsíveis; o desenvolvimento do saber dá-se dentro das figurações, e é um dos aspectos importantes do desenvolvimento.

Falar da vida é, também, falar de saudades, e dentre tantas tive a oportunidade de me emocionar com uma entrevista realizada em novembro/2008 do escritor português, José Saramago , aos 87 anos, A Vida depois do Nobel por Almir de Freitas para a Revista Bravo! . - o escritor em um especial momento, lançava seu livro, A viagem do elefante , e o cinema brasileiro popularizava-o ainda mais, lançando o filme baseado em seu Ensaio sobre a Cegueira . Na entrevista, o escritor, fala do antigo sonho da espécie humana o desejo de viver eternamente. E o que isso significaria: “ser velho eternamente, velho cada vez mais velho, uma vez que não se pode parar o tempo”. A entrevista termina com a pergunta: "A epígrafe de A viagem do elefante é: 'Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam'. Este lugar é o mesmo para todos nós?' que Saramago responde:" Sim e chama-se morte."


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Créditos da imagem:

Liberdade, por Mariana Binder



2 comentários:

  1. vc ganhou um selo!

    veja

    http://novalexandrianet.blogspot.com/2011/05/selo.html

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  2. Olá, adorei o seu blog, estou seguindo tbm!

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