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Sinais



Crônica, por Mariana Collares

"Não a história em si, mas algo dentro dele, algo quase dito que meu subconsciente pegou de jeito e me fez acordar hoje mais tranquila..."



Tenho uma amiga que vive me dizendo que o céu manda sinais. Ela mesma tem vários macetes pra entender os tais sinais do além, e diz que eles se mostram de diferentes formas, seja através de pessoas, seja através de objetos... aliás, qualquer coisa, segundo diz, pode nos dizer algo importante, ou que estava sendo esquecido, ou que deveria ser pensado ou repensado, enfim...

Eu nunca tive muito jeito pra entender desses assuntos. Fico me achando maluca se começo a prestar muita atenção nas coisas em minha volta , procurando um tal “sinal”, ou uma mensagem subliminar que me diga pra ir pra frente, ou pra trás, ou fazer algo ou outro. Mas... como “no creo en las brujas, pero”... então acabo perquirindo o que cada circunstância ou mesmo objeto ou pessoa tem a me dizer, ou mostrar, ou segredar, o que seja. Ontem foi um dia em que peguei para ler um livro aparentemente sem grande significado pra mim. Algo tão diferente da minha história que imaginei que teria com ele não muito mais do que alguns “orgasmos literários”, coisa que gosto de apreciar nos livros: a linguagem, as formas escolhidas pra dizer algo, as imagens formadas em si consideradas, sem muita relação com a história contada... jeito meu, não dêem por isso.

Mas o fato é que o tal livro me tocou. Não entendi direito. Não a história em si, mas algo dentro dele, algo quase dito que meu subconsciente pegou de jeito e me fez acordar hoje mais tranquila do que de costume. Mais sóbria, se é que me entendem. Fiz relações, mexi com os neurônios esquecidos, multipliquei sinapses e hoje me vejo estranhamente calma, “compreendendo” a difícil circunstância da passagem dos seres por nossa existência, e os motivos “divinos” para que isso ocorra num dado momento. Tudo é sinal, afinal. Os que têm olhos de ver, vejam. Depois pensem, pensem e pensem. Porque sinal nenhum tem força contra o cego que não quer ver e o surdo que não quer ouvir. Então estejamos atentos. O Divino nos testa a todo o momento, nos traz pessoas e circunstâncias para que elas efetivamente façam alguma diferença em nosso viver. Se não as “virmos”, seguimos sem elas, porque a vida segue. Os dias se sucedem em horas e elas não páram nos esperando compreender o que está na volta. Então num dia longínquo, talvez, e só talvez, tenhamos noção do quanto de sofrimento e culpa e medo e bobagens poderíamos ser privados se tivéssemos tido a grande sabedoria de olhar o mundo com olhos de que não está acostumado. Porque quem assim faz, entende melhor o que “vê”.

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Créditos da imagem:
Livro, por Tariana Mara

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