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Conto, por José Cláudio (Cacá).


"O cara era tão redundante que seu filho veio a se chamar Pleonasmo"




Machado de Assis criou um personagem superlativo em Dom Casmurro, o insuspeitíssimo José Dias. Esse aqui era redundante. O cara era tão redundante que seu filho veio a se chamar Pleonasmo. Havia gostado da palavra. Uns dizem que seria Leonardo entendido de forma errada. Outros que foi gesto proposital do escrivão lá no cartório de registros. Pleonasmo foi crescendo para cima, isto era um fato real que seu pai gostava muito de contar para todos. E vendo e ouvindo os outros falarem, Pleonasmo também aprendeu. Só que aprendeu mais com o pai, que o levava onde quer que fosse. Tanto que a primeira frase completa de Pleonasmo foi “eu sou filho de papai e mamãe”. Dentre as amizades dele estavam meninos e meninas todos do sexo masculino e feminino como explicava a quem lhe perguntasse se tinha amiguinhos. Indo para a escola cursar um curso regular, era com a professora das aulas que falava. Lia muito, gostava de ir à biblioteca para ver o acervo de livros. Era no pátio de recreação que brincava nos intervalos e era na cantina de merenda que merendava.

Pleonasmo, já um rapaz crescido conheceu uma moça da cara toda pintadinha de sardas e apaixonou-se por amor a ela. E a menina, sabem como se chamava? Antonomásia. Eram fãs dos Beatles, chamados, por Antonomásia, “os quatro rapazes de Liverpool”. Se intitulavam o “casal perfeito”. Gostavam ambos de tudo que facilitasse para os outros a compreensão ou a identificação das coisas ou das falas.

Quando eles se casaram seu primeiro filho homem veio a se chamar Eufemismo. Muito feinho; o pai lhe chamava de boa pinta simpático e a mãe de meu “futuro lindinho”, mas já é uma outra história. O menino ainda não aprendeu a falar. Pode ser que por ironia do destino ou influências externas venha a ser politicamente correto no linguajar.


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Créditos da imagem:
A minha JOIA preferida....o meu filho!, por Paulo Madeira

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