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Tempo-Deus


Tempo-deus de todas as coisas, aos teus pés me ajoelho...




Meus devaneios não se estreitam em determinados estilos literários. Na verdade, e para a maioria, não consigo catalogar em algo definido. Por isso chamo-os 'devaneios de um ser em movimento'. Na esperança de estar transitando entre a crônica e o conto, ou a prosa poética, deixo-os com um pedaço do meu tempo gasto em literatura. Este que aí está:


Devaneios, por Mariana Collares.


Só o tempo é certeiro, amor, só ele. Só o tempo entrega a cada um a colheita. Só o tempo evoca o passado todo num sopro, antes da hora certa, antes da hora perfeita em que te encontras com ele, lá no fim de ti mesmo. No fim da tua estada. Então pensa, amor, que o tempo é teu pai e tua mãe e tu mesmo indo e vindo. Andando de gangorra, nesse sobe e desce infinito pelo cotidiano e a eternidade toda. O tempo é teu fruto. O tempo é teu luto. O tempo te renova, amor, para o novo. O tempo são as horas de um relógio imenso. E imensamente passam num fluxo. Num sôfrego cansaço de passar constante. O tempo é a ilusão da morte. O tempo, amor, é a imaginação em contínuo descaso. O tempo não morre, está. Já foi. E tu? Foste também até o dia em que te vi, longínquo, num quase eco, murmurando um “eu te amo” totalmente enfraquecido e ausente.

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Créditos da imagem: Olhares.com
c o n c e ç ã o, por Francisco Mendes

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