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Todos dizem eu te amo




Devaneios, por Mariana Collares.


Amar um filho é biológico. Amar um pai é antológico. Amar um estranho é esperar demais.


Acredito que a maior dificuldade do ser humano é amar. Amar somente. Não necessariamente amar algo ou alguém. Certamente um objeto definido é mais “fácil”, por assim dizer, de amar. Mas amar, verbo indefinido, é dificílimo. Ainda assim, vejo “eu te amo” por todo lado. Todo mundo diz, escreve e canta, e sem a menor propriedade, “eu te amo” com uma facilidade absurda. Mas à menor dificuldade não ama mais. Ao menor esforço, sai correndo. Desiste. E então arranja outro “amor” tão rápido quanto um trem-bala numa estação em cima do gelo. “Te amo, desde que estejas perto”. “Te amo, desde que sejas meu”. “Te amo, desde que sejas como quero”. Se amar é condicional, não se ama. Se amar é um corolário lógico da facilidade, não se ama. E em meio a essa dificuldade verdadeira de amar, estão por aí os “eu te amo” enfeitando os cartões de aniversário, as mensagens nos perfis das redes sociais e os bilhetes de namorados. Conheço pessoas que, para cada par romântico, dizem um estrondoso “eu te amo” e riscam a sua liturgia com muitas coisas lindas para exaltar esse sentimento. E então, num dia qualquer, deixam de amar para automaticamente amar outro e então outro. E isso me cheira a sarcasmo num mundo em que falta amor e sobra discórdia. Mal conheci e aquela vontade de ver, de sentir e estar perto e o “eu te amo” chega a ser um rito formal e até esperado. Se não disser? Está fora do jogo do sentimento – esse que requer a todo o tempo a reciprocidade em qualquer ato e na mesma medida. E então se pensa que quem não diz não ama, ou ama pouco, ou não quer o suficiente. Mas amor, esse sentir que mais que verbo é filosofia e síndrome, este está em desuso, justamente porque de usado não tem nem teve nada. Não sabemos nada, ou pouco sabemos a respeito. Amar um filho é biológico. Amar um pai é antológico. Amar um estranho é esperar demais. E ainda assim, nas raras vezes em que verdadeiramente lidamos com esse sentimento, ainda que indiretamente ou mesmo de longe e aos poucos, colocamos limites a ele. E fico pensando se amor tem limite - temporal, espacial, filosófico ou metafísico - o que me revela que se há limite, não pode ser amor – ao menos o tal amor de que falam os tratados idílicos. De qualquer forma, e premissas à parte, amor é coisa intangível. E, nesse mundo, parece ceder a um pacto antenupcial. Ou mesmo à rotina. Ao tempo. Às ilusões. Amor humano, então, vira utopia. Um norte impossível, inusitado. Devíamos repensar os “eu te amo” deixados a esmo pelos caminhos...

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Créditos da imagem: Olhares.com
Amor sem Limites..., por Geisa

2 comentários:

  1. Quantas vezes estamos tristes, desmotivados, meio perdidos ou até estamos passando por algum período de muito sofrimento. Coisas assim acontecem com todos, mas tenho algo a dizer para você. Não desista.Peça ajuda a Deus para que lhe guie e de sabedoria, porque Ele pode te ajudar quando você estiver triste e desmotivado. Peça a Ele para te dar mais força para você agüentar esse período difícil e para que não desista. Vamos, sei que você consegue. Fale com Ele.Estou em mudança em busca de meus sonhos vou ficar um tempo afastada mas volto logo. Deus abençõe vc bj no coração!

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  2. Abraços, Valquíria, e sempre bem-vinda!

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