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Poemas, por Ianê Mello


FILHOS DA LUZ


De alabastro
translúcido mineral
incensos e perfumes
a queimar
De cristal
transparente
claro e límpido
De lume
perfeita fonte de luz
reluzente clarão
De perfume
odores de rosa
amadeirados
alecrim, cravo
e canela
De planícies
suave relevo
plano
de beleza ímpar
De constelações
linhas imaginárias
brilhantes formas
Do universo
o todo, o tudo
estrelas
planetas
satélites
seres vivos
inanimados
nós humanos
feitos de sombra
feitos de luz
de vida e de morte
do tudo e do nada
seres viventes
nesse Universo
criaturas tal o alabastro
filhos do pó de estrelas




A ILUSÃO DE MAYA

...

tempo em fractais da memória
fragmentos confusos e inatingíveis
perdidos em dispersos caminhos
em inúteis ilusões desiludidas
tudo em Maya se transformou

...

realidade submersa na dor
vida devastada pela solidão
em deserto árido e sombrio
calor humano já não há mais
se foi pelos ares com o desamor

...

perdido no egoismo do ter
o ser foi definhando aos poucos
a vida não comove os embaçados olhos
brilhantes de ganância e poder
a justiça no mundo já não prevalece
viver é ter coragem de ir morrer aos poucos

...

e morrendo aos poucos poder sobreviver




CONFLITANTES EMOÇÕES

O tempo que se escoa
como areia na ampulheta
e nele a nossa vida
desfeita em sonhos,
em nossa liberdade despedaçada
na prisão do tempo encarcerada.

E os sonhos tão sonhados
pintamos em aquarelas
em nossa mente que divaga
e em palavras nos perdemos
porque queremos ser Tudo
e naufragamos no Nada.

No vazio da ilusão
buscamos algum alento
e o que nos resta senão
mais um desapontamento.

No Tudo que nós buscamos
não vemos o essencial.
A resposta está tão perto
e nós percorremos mundos
só encontrando desertos.
Enquanto procuramos fora
esquecemos de olhar para dentro.


*

Créditos da imagem: Olhares.com
Purpurina, por Kancano (London, United Kingdom)

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