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A maturidade



Crônica, por Ianê Melo


Essa imagem que meus olhos fitam refletida no espelho,serei eu?

Pareço diferente aos meus próprios olhos. Algo mudou mas não identifico exatamente o que.

É certo que o tempo passou. Lá se foram alguns anos de minha vida. A pele já não tem o mesmo viço e frescor. Os olhos, ligeiramente inchados nas pápebras, já não possuem o brilho de outrora. Há linhas de expressão, ainda que leves, a se formar em meu rosto. Já posso vê-las. Meu corpo, ah, meu corpo... já não possui as curvas tão definidas e o desenho dos músculos já se perdeu. Mas também, o que eu poderia esperar, já não sou mais uma jovenzinha.

Sim, a vida passa e deixa suas marcas, umas visíveis, outras não. As que vejo no espelho e me impressionam (preferia não tê-las) são, de certa forma, as de menos importância. Em meu coração abrigo cicatrizes, que por vezes ainda sangram como feridas abertas. Dores de amores mal vividos, de significativas perdas, de sonhos naufragados, de desejos inconfessos. Essas, sim, são as marcas, que embora não expostas, incomodam mais. Mas é claro que também, a vida já vivida me transmitiu um legado positivo. Até mesmo o sofrimento e, principalmente ele, nos faz evoluir. Posso dizer, então, que meu maior ganho nesses anos tem sido a cada dia, me descobrir, me conhecer, me aceitar e sentir amor, verdadeiramente, por esse ser que enfrenta o próprio medo e se faz a cada passo mais inteira.

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Crédito de imagem:
Pintura de Francine Van Hove

2 comentários:

  1. Uma alma que não tem marcas não tem graça, é uma alma que nada aprendeu, que pouco viveu, e que provavelmente muito pouco tem para passar aos outros, ao mundo. Belo conto Ianê e de uma verdade incontestável.

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  2. Obrigada pela atenta leitura, Celly. Bjs.

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