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Conversas Literárias: Carlos Dimuro



Conversas literárias, por Iracy de Souza


Nesse mês de setembro nossa Benfazeja apresenta a poesia de Carlos Dimuro:

Poesia de Carlos Dimuro:

Um Rio Salgado

Apesar de navegar sereias,
não é doce
O rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados,
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra.

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinadas pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.

No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.

(prefácio do livro A cor da Palavra de Salgado Maranhão- Imago, Fundação Biblioteca nacional, Rj.2009 420 pp.)


Naufrágil
Atravessam meus sonhos
navios carregados de oceanos
Singram e sangram a noite
sentenciando sustos e sereias.
Nestes mares sem métrica
afogar e afagar são tão íntimos
que dos naufrágios perdi o medo
Ainda cedo descobri:
Não me assustam as águas
Antes as mágoas
Que nos afogam em terra.



In Tradução

Traduzir a alma
para o corpo
é encontrar nos dicionários
a correspondência entre
Deus e derme
é trazer à superfície da palavra
o silêncio do cerne
Neste silêncio
que permanece silencioso
converte-se o Homem
em Babel
e tenta com todas as letras
refletir-se
num espelho de papel.


http://almadepoeta.sites.uol.com.br/almadepoeta/poesia/Poetas/carlosdimuro.htm


Apresenta também um artigo em que Pedro Sasse Puro da Silva faz uma leitura de Terra sonâmbula, de Mia Couto. Um romance rico em descrições de cultura e que aborda aspectos históricos e o imaginativo do povo, da sociedade moçambicana.

Ainda gostaríamos de chamar a atenção de nosso leitor para o artigo publicado na edição 13 de Antonio Jardim, Pensar música hoje, em que o professor recoloca as questões referentes à música e ao pensamento nos dias atuais se valendo de um caminho pelas palavras: música e pensar; para tentar uma maneira singular na abordagem dessas questões.

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Créditos da imagem: Site olharees - fotografia online
O rio, caligrafia da água-Quase memórias de África, por Manuela Rodrigues.

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