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Crônica, por Mariana Collares



O mundo é pra todos. A felicidade é pra quem tem coragem.

Desculpe se sou fria como uma lâmina, mas não dá pra esconder aquilo que é óbvio demais pra deixar de lado.

Todo mundo quer ser feliz, mas realmente quantos estão aptos a ela?

Quem acha que o divino está aí pra dar de mão-beijada a tal plenitude, engana-se. A felicidade passa por um crescimento individual. E nada depende tanto de si mesmo do que isso.

Esqueça as convenções que não te mostram quem és, esqueça o que os outros dizem e o que pensam – isso não te pertence mesmo e nada do que faças vai calar as línguas más.

Esqueça o que te disseram que deverias fazer desde pequeno, os sonhos que nunca foram teus, mas pertenceram a alguém que simplesmente não conseguiu perpetuá-los.

A felicidade é pra quem se conhece, é pra quem se encara, pra quem se encanta consigo mesmo e não procura no outro aquilo que deveria encontrar em si.

O mundo sim é pra esses. Um mundo que discorda, que sepulta, que enrijece o espírito e transforma quem tem pouco caráter num ser duvidoso.

A felicidade não – essa é uma escolha absolutamente madura e baseada no conhecimento de si e do que se quer mesmo, lá do fundo do peito, mesmo que não esteja escrito em manual e identificado em mapa algum.

Hoje foi um dia em que me dei conta de que, mais que coragem, há que se ter força pra sustentar aquilo que se é, ainda que ninguém mais goste, que ninguém entenda e queira compartilhar conosco.

Hoje foi um dia libertador. Um domingo absolutamente libertador e digno de mim mesma, desse novo ser que desperta dos anos silenciosos e que vem à rua querendo o seu lugar ao sol.

Ah, hoje foi um dia pra poucos. Como a felicidade, um dia pra alguns apenas, como eu.

Como eu que tive coragem de vestir a minha camiseta e dizer: f... setodos! Eu sou isso que pensa e muda e tem coragem! Coragem pra superar obstáculos e medos e vertigens e ilusões. E para criar novas ilusões sim, e porque não?

Talvez a realidade seja dura demais, mas e daí? Se eu sou um sonho, porque não sonhar-me, exatamente como eu quero ser e como eu sou?

O mundo continuará aí, servindo a todos. E apenas alguns saberão olhar pra ele de um jeito próprio, porque apenas alguns estarão prontos pra assumir que são capazes.


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Texto extraído do livro Devaneios Literários,
Crônicas, de Mariana Collares, Ed. Bookess, 2010.

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Créditos da imagem: Site olharees - fotografia online
Coragem..., por Jocafeno.

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