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Poemas de Marcio Rufino




Márcio Rufino.

O Cravo Nú

Por que tua flor rebelde
Insiste em desabrochar na minha frente?
Acariciarei-te. Oh, flor
Para te deleitares com meus mimos
Lamberei tuas pétalas
Apertarei os teus espinhos
Eu ousado zangão
Beberei teu doce-amargo néctar
E te caberei inteira dentro de mim
Até morreres sufocada
Com o calor do meu desejo
Para que assim os campos
Nos libertem e nos mostrem
A verdadeira face da vida
Pois tudo aquilo que a princípio
Não se identifica, com o tempo
Vai se deixando revelar aos poucos
Mesmo que involuntariamente.



Mãe D'água

As gotas caem no azul
Tão indecentes como um beijo na boca
Molho o meu corpo
Como se a água fosse saliva
E brotasse dos orifícios da minha pele.
O velho rabo de peixe mexe e remexe
A espuma de água-doce.
Mas a benção desse refrigério
Está na humildade em que eu
Bebo do leite de seus seios
Que foram feitos para amamentar crustáceos.
Água; verdadeiro corpo da terra.


*

Créditos da imagem: Site olhares - fotografia online
O Encanto do ... Cravo, por Luccy.

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