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E se...





Conto, por Gil Rosza.


Certa manhã, um cidadão pacato, um homem comum, acorda cedo num dia igualmente comum, dia de trabalho. Pouco antes de entrar no banho, pára por um instante olhando o próprio rosto vincado ainda não barbeado no espelho. Fica pensando em como ele era há 20 anos, quando vivia assombrado pelas constatações que caem em sua cabeça diariamente e por causa disso, pergunta a si mesmo; e se? A expressão “e se...” cria é um lastro que para quase tudo na vida dele, fossem situações, pessoas, oportunidades e decisões. Sempre houvera até então um atônito “e se...” na vida dele.

Mas a partir dessa manhã diante do espelho, quando as mesmas questões surgirem inesperadamente como sempre, em vez de um nefasto “e se...”, o que irá se materializar é uma ninfa tatuada que será chamada carinhosamente por ele de “foda-se”.

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Ilustração: Adam Neate 

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