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Não quero ser o primeiro a chegar







Poema, por Marcelo Sousa.


Vetustos senhores
cujas barbas brancas
e a cabeça platinada
não adicionou-lhes em honra e sabedoria
quase nada.

Venusta figura, vetusta criatura
cuja pobre caricatura
lembra muito de longe
aquele que antes fora
mas que hoje encontra-se gasto
por assim dizer, velho
ainda que o que insista em ver
é uma criança no espelho.

Mando-te lembranças
e espero que teus restantes dias
sejam de tranquilidade, de quietude
mesmo que teu cenho torpe
e sua têmpera muito rude
atrapalhe ouvir os pássaros
na alvorada.

Eu e você nos olhamos, somos símiles,
partilhamos o destino humano na mesma estrada.
Porém tua vantagem, ou tua fraqueza
é que tu estás muito á frente, és vencedor,
e com terror verás que vencer é não mais existir.
Fruta madura demais na árvore
não tem outro destino senão cair.

Aceno-te, irmão, que daqui há pouco chegará
sorrindo, bonachão, fazendo troça,
gesticulando solenemente como um palhaço,
seguindo sempre em frente, veloz e audaz
como um cego cruzando a linha de chegada.
Eu, pobre e tolo, ainda estou de saída:
começo agora a viver esta vida!

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