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Paixão intensa, por quanto tempo?




Crônica, por Giovana Damaceno.

Terminaram numa tarde. Depois de alguns meses de pura paixão, acabou assim, assim. Um pra cá, outro pra lá. Choro, olhos inchados, noite sem dormir. Voltaram. Uma semana, duas semanas, um mês. Conversa vai, conversa vem, tenta daqui, tenta dali, puxa, vai, insiste, resiste, tolera, suporta, entende, provoca, compreende, estoura. Não dá. Acabou, de novo. Agora é definitivo. Será?

Namoro de adolescente. Tenho ouvido histórias e histórias de mães e pais de jovens que, como eu, assistem aos filhos em suas primeiras incursões na vida amorosa. E tudo se repete. Paixão intensa, lágrimas e mais lágrimas no final, outro grande amor pra toda vida dali a uma semana. Tudo igual. A filha de uma amiga, aos 18 anos, terminou o namoro de um ano recentemente, deprimiu, se trancou, sofreu por longos três dias e está lá no Facebook, em um relacionamento sério com um novo mancebo.

Vivi muitas e intensas paixões na adolescência, correspondidas ou não. Do mesmo jeito que descobria o amor da minha vida hoje, amanhã já não era mais, porque encontrava outro, que poderia ser ‘pra casar’ e este também seria perfeito por pouco tempo. Tudo isso dos 12 aos 16 ou 17 anos! Amor de juventude é tão efêmero quanto todo o resto nesta época: quero uma coisa agora, não quero mais, é lindo, odeio, aquele cara é demais, que garoto nojento, é o genro que mamãe pediu a Deus, quero que se exploda. E contabilizamos os namoricos que hoje chamamos de ficar.

O problema (ou não) é que hoje tudo começa muito mais cedo. No meu caso, o primeiro namoradinho de escola foi aos 12, mas nada sério. O namoro era somente na escola, onde a gente se encontrava, conversava, pegava na mão, trocava cartas, bilhetes, promessas, umas beijocas na saída e pronto. Não havia, digamos, compromisso. A gente ia ficando, até que um dia simplesmente não rolava mais afinidade e pronto. Tchau. Talvez o costume de estar sempre junto causasse aquela dor abissal de amor perdido, porém isso é o que digo hoje, porque naquele momento era, sim, amor perdido. Como doía! Mas passava rapidinho.

Hoje vejo casais de adolescentes que não só namoram, mesmo, como se comprometem aos 12, 13. Claro que há os ficantes, mas os que decidem namorar de verdade o fazem como gente grande, com direito a comemorações a cada aniversário mensal. E o anual, então, dá um bocado de trabalho. Não me lembro de comemorar tempo de namoro com tamanha pompa. O engraçado da história é que quando a empolgação acaba, termina-se a relação e... então tá, nem se fala mais no assunto.

Minha irmã, mãe de três rapazes, dizia que quando um deles engatava namoro de longa duração, a família toda acabava namorando também. E quando acabava, jisuisinho do céu, sofriam juntos. Ela mesma confessava chorar horrores quando terminavam os namoros por lá. Outra amiga contou sobre um relacionamento do filho, que durou dois anos. As famílias se tornaram tão amigas, que mesmo com os jovens já separados há tempos, sogros e sogras ainda passam os festejos natalinos reunidos.

Confesso que acho graça em assistir e ouvir estas histórias, do alto dos meus 43, com a cabeça equilibrada (mais ou menos) e sabendo o que quero (mais ou menos também). Engraçada a certeza de que a vida é a mesma pra todo mundo, com exceção de algumas peculiaridades. Vejo estes jovens passando por situações idênticas às que já passei, sofrendo dissabores parecidos, sonhando, querendo tudo para agora, sem a menor noção de amanhã e da importância de saber esperar. Falo sobre isso com meu filho e não adianta nada, como não adiantava quando minha mãe falava comigo. E olha que na minha adolescência tinha que esconder quase tudo de mamãe por conta das proibições estabelecidas nas leis familiares altamente restritivas, algo que não ocorre hoje com o filhote. Para tudo o que quiser dizer, encontra abertura e compreensão. O problema é ele conseguir entender, com aquela cabecinha que quer tudo pra ontem. Às vezes estressa, às vezes diverte. E está só começando.


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Créditos da imagem: Site olhares - fotografia online
Casal de Miriti, por Rafaela Coimbra.

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