I Concurso Literário Benfazeja
em torno do que amamos: livros e literatura

Poemas do amor demais











TEU PÃO


E quando acabarem as moedas de ouro,
farei pra você casacos de pele, rasgando meu couro.
E quando não tiver mais o melhor vinho
te darei de beber na fonte, gozando e gemendo baixinho.
E quando faltar o ossobuco, o cordeiro e o faisão,
olha pra mim: para beijar, morder, consumir... serei teu pão!





NÃO ME VENHA FALAR SÓ DE AMOR


Não me venha falar de amor.
Não me venha falar de poesia.
Não tenhas orgulho da tua dor.
Não aches que amar é uma fantasia.
Não guardes moedas, nem medos, nem segredos.
Não fales do meu coração como se fosse um brinquedo.
Não digas sim quando teu corpo quiser decretar um não.
Não digas não quando o sim é a ordem do dia no teu coração.
Não faça nada, não jure, não procure, não segure, não resista, não insista.
Amar é sentir para além do corpo e simplesmente enxergar além das vistas!





NÃO PERGUNTES NADA NA SAGRADA HORA


Perguntas, perguntas... 
e o que menos interessa é a resposta. 
Tudo o que te fazem, e aceitas sem reclame,
é porque no fundo, tu gostas!
Gostas que te chamem por aqueles secretos,
sujos e gostosos nomes...
E que te toquem sem respeito,
quando a máquina descontrolada
que funciona dentro do teu peito,
de repente faz bagunça,
e você vira onça,
pintada de falso rubor...
Então não me venhas com tuas queixas!
Esqueça os teus pudores de menina
e entenda o arrepio que sube por tuas coxas!
Seja lá como te tratarem, se te fizer gozar,
deixa!









TENHAMOS TODA CALMA...


Com calma passearemos por tempestades
e nossa idade trará paciência aos nossos brutos modos.
Com toda calma sentiremos que a saudade
não é filha nossa, mas afilhada de todos.
Aprenderemos, com toda calma
que água demais faz morrer as rosas.
Chegaremos ao momento em que a alma
aprenderá que o silêncio pode ser a resposta mais gostosa.
Tenha calma, meu amor, porque envelhecemos naturalmente
e vemos o quanto nossas carnes pouco resistem aos ataques do tempo.
Tenha calma, minha amada, pois ainda seremos ainda amantes
quando nossos corpos, em pó, estiverem longe, espalhados pelo vento!









MAIS FUNDO, AMOR!

Não aceito amores que não sejam eternos, 
nem paixões que não tragam consigo um pacote interno
de carinhos que não se limitem ao que está entre os pêlos, 
mas que toquem impreterívelmente cérebro e cerebelo.




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