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PoeSZeja 8: A pele



Reatamos o antigo namoro com a seção PoeSZeja. Todos os dias recebo, dos mais diversos cantos tocados pela língua portuguesa, textos para a benfazeja, quase todos escritos por autores que ainda não publicaram livros ou que estão debutando mas que já demonstram a força tão característica nos laureados.

Não estava nos meus planos voltar com a PoeSZeja agora. Algo me fez mudar de opinião, sim. Ler

Formigas me arranham por baixo da pele.
Todos esses pequenos eus formigam, colonizando minha carne dessa estranha gente. (...)

enviado por uma mulher carioca,

(...) trens que viajam sobre gente

trens dementes
sigam até o pescoço (...)

 vindo de uma gaúcha e

A sensibilidade que explode os poros exala um perfume de calma infância
alma infância passadista

direto da Bahia faria qualquer um que se propõe a divulgar literatura querer juntá-los em uma pequena antologia e apresentar suas autoras, suas poetas, a todos que estão à sua volta.

Para ler, sentir, compartilhar.

Wellington Souza


(Sem título)
Ana Claudia


Formigas me arranham por baixo da pele.
Todos esses pequenos eus formigam, colonizando minha carne dessa estranha gente.
Assopra a fumaça morna de velas rezadas
por onde respira o formigueiro que trabalha em mim.
Quero a paz incensada dos templos.
De todos os tempos:
O imemorial.



Fim da linha
Leila Krüger

Pisem os trilhos de meu ventre
por favor
trens que viajam sobre gente

trens dementes

sigam até o pescoço
trens valentes
descarrilem em meu dorso

sempre em frente!

Trens de osso
trens de aço
trens
que
bra
dos



O Cheiro
Iara Assessú



A sensibilidade que explode os poros exala um perfume de calma infância
alma infância passadista
Louca como a mão certa
Larga como a mãe gorda que pouco faz do mundo, mesmo quando ainda carrega...
A magoa do tempo é pouco,
Um pouco que se sucede dentro de uma força tão bruta e lilás que só faz parar o mundo pra gritar aos vagabundos
Que nascem como trevo de três folhas...
Não secam no caderno,
Se reproduzem numa eternidade qualquer escalando as paredes da casa com suas almas passageiras, que aguardam o momento de se adentrarem no pipoco...
Infância tem cheiro de lápis de cor.



*
Créditos da imagem: Site olhares - fotografia online
O fogo à flor da pele, por AnaGouveia.

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