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A antiga e presente lógica marcial


Conto, por Gil Rosza.

É fácil perceber que a tolerância nunca foi uma característica predominante em um ajuntamento de pessoas. Talvez por isso, a paz plena e o amor absoluto entre os povos nunca passou de uma bela quimera banhada a ouro. A História mostra nitidamente que a paz está entre as coisas que receberam menos esforços para que fosse cultivada e distribuída sem parcimônia, ao contrário da tendência para acabarmos uns com os outros, bastando para isso que aconteça, a existência de coisas ínfimas, algumas delas baseadas numa franca indisposição dividir o mesmo espaço de convivência com diferenças culturais, de classe, políticas, religiosas, étnicas, etc.
Nem leis ou nenhum outro mecanismos de controle usado para tentar conter confrontos, proteger uns do ataque de outros, costumam impedir que haja um tipo de incômodo devido ao grau de proximidade com aquilo que se enxerga como estranho, acabe produzindo uma fricção que pode se manifestar em forma de pequenas provocações verbalizadas ou comentários depreciativos.
O curioso nisso tudo é que quando não se encontra um adversário real ou uma causa externa aparente para se começar uma guerra, procuramos incansavelmente dentro de nós mesmos, até encontrar um motivo qualquer para não viver pacificamente. Com isso, a paz torna-se cada vez mais um típico delírio humano, como são também o amor romântico e a felicidade.

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Créditos da Imagem: Fffound

Um comentário:

  1. Me vejo na obrigação de dizer que não é bem por aí que a banda toca...
    Extravasamentos de violência ocorrem porque somos ignorantes com relação a nossa própria natureza. Artistas marciais buscam o entendimento da própria agressividade para canalizá-la para propósitos construtivos, ou em benefício próprio. Lidamos com isso, ministrando com sustentabilidade os instintos que o homem insiste em manter na insalubridade, sem aperceber-se de que isso é gerador de violência. Alguém já pensou que a apatia que a sociedade nos induz em relação aos nossa própria é um fator gerador de violência?
    Agressividade assusta. Ninguém normal está isento do incômodo típico em confessar em voz alta aquilo escondemos dentro de nós, especialmente numa sociedade em que se pode ir a um baile de máscaras de cara limpa que não faz a menor diferença.
    Como artista marcial, sou por extensão um guerreiro; e digo que algo que positivamente tenho aprendido ao me instruir nos caminhos da guerra é como é bom viver em paz.

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