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Brevíssimo ensaio sobre a utilidade das reticências


Conto de Gil Rosza.

E daí? Depois de conquistar alguns objetivos desejados, é comum perguntar isso pra si mesmo, quer verbalmente ou em pensamento, quer ao divino ou ao humano, quer se tenha coragem, quer não. A diferença desse tipo reflexão para outras formas mais frequentes é que o “e daí?” surge apenas quando tudo parece funcionar muito bem, quando se tem, em caixa, as respostas para solucionar satisfatoriamente quase todos os problemas comuns da normalidade cotidiana.

Surge então o “e daí?” assombrando não o carente, nem o que está em dúvida ou dívida, muito menos o que se sente privado. O “e daí?” costuma atormentar apenas o que pensa estar ciente de tudo, o que se julga esclarecido, o que encontra-se materialmente suprido! Não se pergunta “e daí?” depois de nadar, nadar e morrer na praia e sim quando se crê ter alcançado o topo, o Olimpo. Pergunta-se “e daí?” somente depois da coroa de louros, da honrosa comenda colorida, do título ganho sob ruidosos aplausos.

Seria então o “e daí?” uma espécie de culpa por ter conseguido tudo o que se quer? Algo como sentir-se mal quando tudo está bem? Seria uma crise por ter passado gloriosamente bem por todas as crises? O desconforto da certeza de se estar seguro? E se não for nada disso? Mas se for... e daí?

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