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Ghost in the machine



Conto de Gil Rosza.

Bastava entrar na internet, encontrar alguma coisa de interesse comum, uma imagem, vídeo, texto, música, copiar/colar e enviar para o destino de sempre. Era assim diariamente por centenas de vezes ao longo de alguns anos. Era tanto que cada qual criou em seu Hotmail, pastas para guardar os pacotes do que era considerado valiosos objetos de afinidades. Com o tempo, abriram a conta conjunta, um relicário para colecionar tudo o que jamais deveria ser perdido. Hoje de manhã, uma semana após tudo ruir da pior forma possível, a ponto de não restar mais nenhum acesso para qualquer tipo de restauração, ela achou num site uma daquelas coisas que antes eram tão urgentes como parte daquilo que jamais deveria ser perder. Encharcado ainda pelo vício, copiou, colou, depois ficou olhando para o conteúdo na tela. Clicou numa vogal e no campo do destinatário, acionou automaticamente um nome na lista de contatos. Respirou fundo e decidiu inteligentemente deletar tudo antes que cometesse o pior dos erros depois de um breve, mas forte, surto de saudade-autoflagelo...

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Foto: InMagine

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