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Sentinela e outros poemas



Poemas do escritor convidado Marcus Groza.



SENTINELA

os portões estão trancados
pra que não entrem as estátuas
turistas podem mediante contrato
também peregrinos da carne quando é madrugada
tendo muitas outras fomes como comparsa
as raposas são rápidas
cercam o galinheiro
e as aves que voam baixo não podem entrar na horta
são duras ameaças pra pimenteira e pras alfaces
o homem aprende e faz uma prece
pede que a terra lhe seja leve
enquanto a Morte olha tudo de longe
imperiosa majestade





COSMICADUCIFORME

anel destelhado
cristal de veludo

fósforos.úmidos
língua escaldante

alega.como saúde
sua própria alegria

em dois e bem antes
o mito e é um_misto

coraação requentado
e strelas brunindo



OUROBOROS, NOME DA FRUTA

a fruta-pão que dava no pé de guerra
pântanos e túneis espantaram
depois de engolir as feras
e o verde todo gramado
hoje
você rasteja
feito um soldado
até mais ágil e feroz
nem espera fome de almoço
o seu corpo é todo febre e pescoço
garganta em que fácil fácil cabe um cervo
e agora em conchavo com desertores e adeptos
me expulsa de dentro do casco durante os anos bissextos




Biografia
Marcus Groza (1984) é poeta, dramaturgo e professor. É Mestre em Artes pela UNESP e graduado em Filosofia pela USP. Atualmente, prepara o livro Do Buraco à Poça. Seus interesses convergem agora para poesia multimídia, intervenção urbana e música experimental.
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* Créditos da imagem: Olhares.pt
Brincar com a fruta..., por Samuel

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