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Alícia Teles



Crônica de Mariana Collares.


Todas nós duvidávamos de Alícia Teles. Seu otimismo e certeza eram dignos da nossa superstição.

“Olha o exemplo da Alícia! Confia e manda para o universo o teu pedido!”Sim, as amigas a ouviam, quando dizia - “Joga para o universo o teu desejo” - e achavam que era muita confiança para um ser terreno, sujeito muitas vezes aos revezes do azar e das circunstâncias.

Alícia não. Achava que todo o destino poderia ser manipulado pelo pensamento positivo e se esforçava em acreditar e em convencer as amigas de que isso funcionava.

Nós, as descrentes, ficávamos olhando de soslaio enquanto ela nos dava “bom dia” com um sorriso enorme e nos dizia que estava esperando o príncipe encantado entrar pela porta e levá-la para dançar uma valsa. – “Quero um gordinho que me leve a dançar pelo salão!” – dizia.

Nós a escutávamos e sorríamos, complacentes, mas sem crer verdadeiramente naquilo. Era mais um desejo longínquo, e talvez, e só talvez quem sabe, o universo consentisse, ainda assim aos poucos ou de forma quase sempre ineficiente.

Mas foi um dia, e eu estava lá para presenciar, que Alícia encontrou o tal ser alado. Mas não tinha asas, tampouco a reconheceu de cara.

Ela não se fez de rogada – continuou sorrindo e dizendo a todos os que tivessem ouvidos: - “Portas e janelas sempre abertas para a sorte entrar!”

Ela se abrira. Nós esperávamos.

E aconteceu, de fato, que um dia o homem acordou. Convidou-a para jantar, e depois a convidou de novo. E saíram, e dançaram, e se amaram. E se viram de novo e de novo e de novo.

Nós a olhávamos. Ela sorria.

Um dia chegou dizendo que ia casar e morar numa cabana.

Nós observávamos.

Noutro nos disse estar noiva.

Nós sorríamos.

E quando tudo na vida de Alícia parecia perfeito, veio a gravidez e a viagem de lua-de-mel ao exterior.

Hoje olhamos as fotos que nos manda e concluímos que Alícia Teles virou mito – o nosso mito de verdade. E hoje é um exemplo a seguir.

E quando uma de nós pensa, levemente que seja, em desanimar, logo vem alguém dizendo: - “Olha o exemplo da Alícia! Confia e manda para o universo o teu pedido!” – e a gente suspira fundo e então continua.

Hoje, Alícia Teles gera um menino e não pode estar mais feliz. E eu penso que se houvesse uma designação masculina para a esperança, certamente esse seria o seu nome. Ou sobrenome. Mesmo sabendo que Alícia não espera, alcança.


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2 comentários:

  1. Tirando o "gordinho", o resto é tudo verdade! Hahahhahahah.. :) Adorei o texto, Mari! Parabéns!

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  2. rsrsrsrrrsrsr! Obrigada, querido! Fico feliz em dizer que esta história é mais do que verdadeira! Beijos!!!!

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