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Infância




Crônica, por Mariana Collares.

Tenho saudades da casa verde da Rua Portugal. Da árvore torta em frente à casa, da guerra de bolinhas de cinamomo, do mico imaginário que foi meu amigo de infância, do boneco amarelo, a quem dei o nome de Dudu e que tinha um chapeuzinho amarelo também e era todo de borracha e cheirava a hábito.

Tenho saudades da piscina de plástico e do verão, das amiguinhas da rua, da casinha de bonecas da Môni, de ir até o mercadinho da Maria para comprar chicletes, das fugas à casa da costureira, do vestido azul de princesa, das minhas bonecas e do meu liquidificador de brinquedo, de comer goiabas diretamente da árvore, das pitangas do fundo do quintal, da parreira que servia de abrigo nos dias quentes, dos dias ensolarados da infância, de fazer aniversário três vezes por ano na escola só para que me cantassem o “parabéns a você”, de brincar com as folhas das árvores no pátio do colégio, da professora Matilde, de ir para a casa da Vó durante as tardes, e de passear de carro com os Tios, de andar de bicicleta até a esquina, dos pintinhos que meu pai criava, da gata preta e branca que nunca teve nome, da cortina laranja da copa, de brincar com meu parquinho de papel enquanto todos dormiam, de olhar para os móveis da casa e achar mistério em cada um, da nossa televisão em preto e branco, da novela das seis da tarde, do bercinho do meu irmão mais novo, da chupeta e da fraldinha, que me servia de “cheirinho”, de ter três anos de idade e o maior sorriso do mundo, e de colocar o mundo todo em meu quintal e brincar com ele e fazê-lo completamente feliz por um dia inteiro.

De pensar que “um dia” eu iria crescer.



Créditos da imagem: Olhares.com
NA GOIABEIRA, por Antonio Rezende

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