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O Contrário de Mim



Poema de Lunna Ramos


“Quem é você?”
“Eu sou o contrário”
“Mas o contrário de quê?”
“Não sei”

Procurando os contrários da vida, me encontrei
Mas ainda não sei onde.
Sei que tudo tem um contrário.
Talvez estejam juntos de seus opostos,
talvez estejam juntos de seus sinônimos,
ou talvez pertinho de seus avessos.

Mas qual o contrário do contrário,
o oposto do oposto,
ou o avesso do avesso?
Não sei quem sou.
Mas no meio desse rolo me encontrei, e sou o contrário.
Estou ao contrário,
me desdobrando para achar a resposta, e não consigo.

“Você é o contrário de mim”
“Todo mundo é o contrário de todo mundo”
“E você sabe todos os contrários?”
“Eu sei o meu contrário”
“E o contrário da dor?”
“Não existe. O oposto da dor é o nada”
“E o oposto do amor, é o ódio?”
“Não. Ou é amor, ou não é nada.”
“E o contrário de tudo?”
“Nada”

E de repente,
em um diálogo comigo mesmo,
achei a resposta.
O contrário das coisas, não é nada.
É aquilo que elas não são.
E se não sei quem sou,
sou o contrário de tudo,
ou então talvez,
talvez eu não seja nada.,


Biografia
Lunna Ramos é estudante natural da cidade de Niterói. A poesia O Contrário de Mim ganhou o 1ª lugar no IV Concurso de Poesia Eunice Cariry (RJ). 
@lunsrs
skoob


Crédito da imagem: olhares.com
___um filme ao contrário (ii)___, por Carlos Lopes Franco

2 comentários:

  1. Não somo
    O contrário
    De Nada
    Pois ser
    O contrário
    De Nada
    Seria ser
    Tudo
    O que não somos

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  2. Acho que ela quis dizer não ser o contrário de todas as coisas separadamente.

    Muito bom o poema.

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