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Um copo de céu cheio de mar


Poemas de Marcelo Sousa.


Um copo de céu cheio de mar

De sorrisos e lágrimas,
de imprecisos azuis e coruscantes magmas,
fizemos ninhos nos sonhos uns dos outros
onde a eternidade, esse piscar de olhos, ainda é pouco
porque minh'alma transborda quando encontra o seu olhar:
Ah, que lindo copo de céu cheio de mar!




Poeminha

Cada dia menores
são meus versos.
Espero que tu
não me repreendas.
É que ao ficar nu
(usar palavras poucas,
rasgar todas as roupas)
livro-me de todas as vendas.
Já não faço versos para ser entendido
mas para que eu mesmo me compreenda!




O Lobo do mar

Cortando a barra, singrando o horizonte
Vão as taboas de madeira e piche
Que dão formato à trôpega nau.
Tudo no mesmo marasmo de sempre.
Não há ventos soprando as velas.
A noite demora a passar, estranho azeviche,
Que nubla a orientação pela magia das estrelas.
Pouco se vê além do próprio nariz.
Uns pensam que é o céu, outros, o inferno.
Mas sonhos são fumaça de cachimbo,
Que por um abano podem ser desfeitos.
Aqui é o oceano, não há como criar raiz.
As pernas bambas sofrem a falta da terra firme,
E entre esquerda e direita ninguém vence o pleito.
O mar é um deserto de densas neblinas.
O leviatã, a baleia branca, não quer brincar.
As ondas não passam em seu galope eterno
Como cavalos de espumosas crinas.
Arpões inúteis enferrujam em meu peito.
O barco pende de um lado ao outro sem avançar.
Não vemos o timoneiro. Marinheiros abandonaram o navio.
As últimas notas no diário de bordo mostram estranhas rimas.
Tudo é expectativa de tempestade.
Tudo resume-se a esperar.
Corpo é escassez. Alma, improbabilidade.
Serão assim os últimos dias de um velho lobo do mar?

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