I Concurso Literário Benfazeja
em torno do que amamos: livros e literatura

A rede social




Crônica de Mariana Collares!



No perfil de uma rede social, a seguinte mensagem:

Olá, estou aqui para trocar informações e fazer contatos com pessoas interessantes. Então, se tu fores um idiota, tarado, desocupado, imbecil e bisbilhoteiro nem pense em me adicionar. Não me marque em fotos em que não apareço. Eu não vou olhar e se puder excluo tudo. Não, não quero meu perfil marcado em cachorrinhos-gracinha, ao lado de 3567 amigos-virtuais, pra fazer com que todos entrem na tua página e te dêem ibope. E não me mande coraçõezinhos de presente, frases do livrinho de auto-ajuda falsamente atribuídas a Shakespeare, ou aquela fazendinha absurdamente direcionada a retardados porque eu não entendo e não quero aprender a plantar milho no computador.  Não me chame no chat se não for para falar algo que valha. Eu não responderei a perguntas cretinas e se reincidires, eu te excluo sem direito à apelação. Eu não entro em páginas de sites desconhecidos, racistas e preconceituosos de todo o tipo pra clicar num link duvidoso e te dar qualquer prêmio, nem que seja a minha presença ilustre e estatística. Ah, eu só ‘curto’ o que eu efetivamente gosto. Então não adianta me mandar indicações de páginas que só tu e a tua mãe apreciam.  Se me mandares uma mensagem-mimosa, do tipo ‘você é um ser importante e Jesus te ama’ eu vou adorar da primeira vez. Na segunda eu vou olhar pra ela, cética. A partir da terceira eu vou te odiar, e da quarta em diante eu te excluo. Ah, eu te excluo por muito pouco, então não abuse. Se me achar bonita e quiser elogiar, tudo ok. Se me achar bonita e quiser escrever, tudo ok. Se tentar convidar pra café, motel, viagem ou programa, eu te excluo. Desculpe, mas a beleza física não torna ninguém do ramo, então não confunda. Não me faça mentir meu status de relacionamento (ter que postar casada ao invés de solteira) pra evitar ser importunada. Eu te excluo e ainda te sinalizo para o provedor como pedófilo, acredite. Ah, e se  fores daquelas pessoas que só consegue pensar e se manifestar na “voz ativa” (gramatical) evite falar comigo. Tu não irás compreender o teor das minhas respostas. E se comentares meus textos com um “não entendi”, tá morto. Vou fazer o teu enterro ao lado dos meus 579 amigos e não haverá direito à vela, nem choro. Então é isso: estamos numa rede social. Minha página é minha casa. Então não entre sem ser convidado. E se entrar, nunca, em hipótese alguma, abra a porta da geladeira.



Créditos da imagem: Olhares.pt
Facebook, por Liliana Pereira

Um comentário:

  1. Parabéns,Mariana,até que você conseguiu uma crônica mais autentica, e precisou apenas um pouco do sentimento de indignação,misturado a um certo ar de deboche,e a essa rede social,pela qual eu te parabenizo.Seu texto deve ser mais bem trabalhado, e buscar mais o senso jornalistico,um complemento,até novos textos...

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