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Poema de rogério fernandes


para paulo eduardo lacerda, poeta e editor, e que também adora livros.


são 10 horas e está tudo escrito nas costas de couro
e no sorriso estelar em mil caracteres de som
e saio com mãos sem dedos e olhos sem luz
no avesso da biblioteca
equação antiga manuscrita na violência da mulher
e homem
neo bacantes de paris publicam ondas de poesia e
indecifráveis falos de amor ilustram a munição dos
mitos
a luta é desigual
viagem desancada na borda do vestido de bovary
cotejo hexagonal / dor interpretada / o caldo de cacaso
e o pamplona de risério faz fila na fogueira dos miseráveis
ei, verso bonito do arquiteto e língua cadente
quente
imersa na gente, livro, palavra, passeata de mãos
e cartilha no éden dos corredores e hoje
/ lanço / civilização e morte para dentro /
/ lanço / losango e cáqui /
/ lanço / um país / capital de gente tristíssima nos
dizendo adeus
/ e que coisas pequenas (fazes) que sejam grandes
e coisas grandes se calem pequenas /
assim mesmo quero e ergo a cabeça
assim mesmo verão e outono
assim mesmo costuras e cadernos e avelãs e traduções
de guerras, de amparos, de espanhol, de gírias
de gente amarrada na árvore, no quintal gritando gíria
ainda assim, o que quer que seja, laço e gesto
voo o peito vazio e preencho com a bailarina
na filosofia, na sociologia, na historia, no ramo outro
do desconhecimento / não há nada aqui daquilo
que chamam amor, não versos nesse esgoto
não há país, ou padrastos ou chegados, só partidas
só há livros, resta alguma comida no fogo
um olho, uma renda, tatuagem símile e corações
parando - há livros, palavra?
sim, ela está aqui, roçando no fruto
mirando entardecer, no pasto seco, na évora
- não deixo de pensar que o palácio que descreves
são como os alicerces de minha pequena cozinha -


são paulo, 11,12,12


Créditos da imagem: olhares.com
Livro Aberto, Vida Incerta !, por Andreia Serra

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