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O Poema



de Aldo Moraes

Divido o poema
E ele que era parte
Parte dos sonhos
Parte da vida
Parte de espera
Parte da sina
E também parte quimera.
Agora, não é nada
É só parte pequena
Que parte de Helena,
Não a de Alencar,
De sonhos e de dar
Mas uma outra qualquer.

Meu poema é só parte
Então dele não se reparte
Não se extrai nada
Nem água, nem fogo, nem terra...
Imaginaria, eu, que dele ( ? ) simples poema, simples poema
Se pudesse extrair ar.

Então, ele não é nada
E também nem parte é.
E é parte de nada por que
Parte de nada.
E então é coisa de se ler e nunca lhe fazer fé.

É risco no papel
Esboço de palavras e,
Portanto não fala.
É mal e é bem
É tudo nascendo sem.

Não é ouro, nem prata
Nem estrela e não brilha
Não é verso, é cisma
Pedra que rebate n’outra
E nada aprende.

Parte do nada ?
Não irá ao tudo.
Aos todos
Aos tudos.

Aos vivos e aos mortos
Aos corpos e ao nada
(retrato apenas), dedico
um verso de partes soltas.


Aldo Moraes
Músico e escritor, Aldo Moraes produziu em 2002 o CD Arte Brasilis com música e poesia; lançou os CDs Gestos (piano solo); Poemas do Amanhecer e Segundo Olhar; o romance Casassanta e os livros Poemas do amanhecer e Contos Extra-Ordinários (todos pelo Clube de autores). Foi Secretário Municipal de Cultura de Londrina.

Os principais prêmios que recebeu são:

Menção Honrosa no Concurso da Academia Mozarteum, na Áustria, em 1994, por Livro dos sonhos (piano e orquestra);

VII Encontro de Compositores Latino-Americanos, em Porto Alegre, em 2001 com Gestos (piano solo);

Ballade pour Peter Mieg, para violão solo, publicada na Revista da Fundação Peter Mieg, Suíça, em 2002;

Quarto Lugar no XXV Concurso Internacional de Poesia, em 2008, com os poemas À Tom Jobim, Canto e Para Koelreutter II;

Menção Honrosa no Concurso Nacional de Literatura, promovido pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, sediada no Rio de Janeiro, com o tema Euclides da Cunha (agosto/2009).

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@aldomoraes

Créditos da imagem: Olhares.com
Palavras, arte e papel, por Leonardo Dias

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