I Concurso Literário Benfazeja
em torno do que amamos: livros e literatura

Pássaros



Crônica de Leila Krüger!

As palavras fugiram.

Amedrontaram-se com minha dor, esse monstro ferido urrando no peito. As palavras, elas não remanesceram – fugiram como pássaros puros entre nuvens negras. As palavras fugiram, os carinhos fugiram, o sorriso fugiu e o amor insiste em ficar, à espera de um mísero convite. Um convite para que não se vá. Um convite, uma palavra nova, ainda não inventada, uma escada para um abrigo... Onde não exista nada que entristeça. Nada que impeça. Nada que despedace. Lá onde a gente voa, como voejam as palavras brancas entre as almas despidas.

As palavras certas fugiram daqui de dentro e do mundo inteiro. Por terem medo dessa coisa estranha que morre e mata, o amor, foi que elas fugiram em bandos. As palavras sabem que não o compreendem, que não o alcançam, que não o são – o amor é mais forte. Mais comprido, mais eloquente em seu silêncio, mais incomensurável.

As palavras fugiram.

Mas o amor – esse sempre fica. E as palavras não o são, por isso fogem.

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Créditos da imagem: Olhares.com
eu e um passaro, por ivy coles

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