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Planos Infalíveis




Crônica de Aldrêycka Albuquerque

Quantas vezes nos pegamos fazendo planos? Quantas vezes reclamamos por nada ter ocorrido como planejado? Ou ainda pior, quantas vezes nos perguntamos como tudo pode ter saído como planejado e ainda assim, não ter dado certo? Agora lembre-se o que de melhor te aconteceu no ano passado e me diga: isso estava nos planos? É, provavelmente não.

Aprendemos desde criança a ter o controle da própria vida fazendo planos infindáveis que devem ser infalíveis e que qualquer desvio pode ser suficiente para fadar você ao fracasso. E assim passamos a vida, fazendo planos que dando certo ou errado, acabam nos deixando cansados e nos sentindo incompletos. Crescemos cheios de certezas, cheios de novos planos, cheios de presunções... O que não faltam são sonhos a serem sonhados, mas o último sentimento antes de dormir é sempre de vazio. Passamos a vida caçando a própria cauda, a espera de encontrar o caminho para Nárnia.

Quando vamos parar para pensar, refletir e perceber, que o melhor que pode nos acontecer em geral está completamente fora dos nossos planos e expectativas? O que verdadeiramente faz a diferença nas nossas vidas na maioria das vezes escapou do melhor dos planos, e nunca é totalmente como imaginávamos. São nesses Planos Infalíveis que estamos acostumados a traçar que entram os desejos, mas fica de fora a felicidade. Entra o mestrado, mas fica de fora a gravidez inesperada; Entra o emprego na multinacional, mas fica de fora a empresa que você abriu na garagem com os amigos; Entra o casamento mais caro da cidade, mas fica de fora o italiano de olhos verdes dono do Buffet que você contratou e que acabou se apaixonando; Entra a compra da casa na praia, mas não os trigêmeos. O melhor acaba sempre ficando de fora.

Então antes de se entristecer por se descobrir fora da rota traçada, ou mesmo antes de fazer a ponta do lápis para elaborar grandes planos para o futuro, pare por um instante. Entenda que na vida o controle é só imaginário. E mais importante que o destino é o caminho a se tomar. Deve-se apostar mais nas rotas alternativas que podem aparecer ao longo da caminhada, e menos nos atalhos suspeitos ou rotas que você ouviu dizer que eram melhores. E o principal: fique atento aos sinais. Ás vezes o que separa você da felicidade não é um plano infalível, mas apenas uma placa de retorno que você pode deixar de ver enquanto procura no mapa, pela milésima vez, o caminho que você deveria tomar.



Aldrêycka Albuquerque
Recifense, vinte e poucos anos, ama ler e passa os dias tentando escrever algo que lhe convença. Tem blogs que servem de plataforma para seus eternos ensaios, tentativas de escrever o que sente, o que viu, o que pensa, o que cria... Em 2011 teve um conto publicado na coletânea CRÔNICO da editora Multifoco..
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Créditos da imagem: Olhares.com
Caminhos Traçados, por Raul Alexandre

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