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O Último Romântico





Crônica de Libério Lara.


Penso que os homens perderam um pouco a noção do que é ser romântico. Para a maioria dos meus amigos, ser romântico é mandar flores no dia dos namorados, da secretária, das mães e de sei-lá-quem-mais...

Para eles, ser romântico é levá-la para um jantar à luz de velas em seu aniversário ou no aniversário de namoro (quando se lembram). Pensam que são românticos, porque encontraram uma poesia na internet e enviaram para o e-mail dela. Abrir a porta do carro? Jamais... isso não é ser romântico, é ser cafona! Eles dizem...

Confesso que às vezes acredito que os tempos do último romântico está chegando. E, sinceramente, não sei onde está a culpa.

Hoje quando ouço no rádio “vem aqui pro seu Tigrão”, sinto uma nostalgia de um tempo que não vivi, mas estou certo, minha alma vem de lá... do tempo de “Tu és divina e graciosa, estátua majestosa do amor...”.

Sim, eu sou um romântico inveterado. Mas as flores que eu mando chegam numa tarde de uma terça-feira qualquer sem motivos, sem intenções, apenas para dizer: “Oi, lembrei de você hoje, gosto de você”.

O romantismo não está no ato, o romantismo está na alma. Atos e gestos de amor e carinho são conseqüências disso. Jantar a luz de velas? Quando se é romântico, um lanche no shopping pode se tornar inesquecível e tudo que você disser, soará aos ouvidos de sua amada como poesia. Não precisa recorrer aos poetas para ser romântico, basta ser você mesmo, sem medo de expressar o amor que vive aí dentro, preso no peito sob a vigília constante do medo de se mostrar ridículo.

Ah, mulheres! E como os homens temem o ridículo! Paradoxo absurdo esse: Choramos que nem crianças quando nosso time perde na final de um campeonato, mas seguramos as lágrimas quando vocês se declaram...

Se romantismo é ridículo, sou réu confesso! Eu levo café da manhã na cama, passo horas fazendo cafuné e cantando canções de ninar, carrego no colo, invento poemas e desculpas para ela sorrir, tempero a relação com flores, cuidado e, como não sou um romântico chato, um dedinho de pimenta também...

Eu sei que apesar de tudo, estou longe de ser o último romântico. Mas que eu abro a porta do carro pra ela... ah! Eu abro...


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Créditos da imagem: olhares.pt
um homem destronado., por Nika

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