Novidades

Outras poesias do livro AUTOPSE






Perdoem-me os felizes...
Mas a dor me é demasiada, grande
Para alargar meus lábios em alegria

Meu sorriso tem um quê de morte



***


... nos longínquos céus e nas longínquas margens
que precipitam minha dor

Chorei espinhos que rasgaram minha face

O sangue derramado, enegrecido
já antigo
Resquício de uma vida que não mais há

Última carcaça de um poeta que jaz...



***


Tu, pálida criatura
Deusa minha, anjo de catedrais góticas
Sibilas lágrimas de teu silêncio sem fim
Claustro e abrigo
Agonizas tua loucura em rubro
Dália que fulgura ante o sol
É para ti a noite, única companheira



***


Eu caminhei buscando um coração
Desviando-me de pedras e tentando manter meus olhos abertos em meio à poeira
Entretanto, não compreendia que tudo já havia se corrompido
Meus dedos, minha boca, meu corpo
Nada mais sem o fardo essencial daquele que eternamente procura

As luzes piscaram, prenunciando a minha morte
E eu rezei para que alguém me salvasse nestas noites impuras
Mas o que eu apenas pude ver foi a minha própria imagem
Eu em fragmentos, enquanto meus pés seguiam tortuosamente...



- Mais informações sobre o livro:


http://emcorpoimovel.blogspot.com.br/2012/11/meu-livro-de-poesias.html


**Olhar triste**, por Ana Rita Vaz Cruz

Nenhum comentário