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Poema aos prantos e barrancos




Poema de Caranguejúnior



A cidade já chora de mais

Ácida-de já chora de mais

Nem menos

Lacrimogênio

Lacrimo gênio 
No crânio
Alucinógeno buruçu

Um infortúnio

Um pandemônio 
Protestar é imoral
E a bomba é de efeito moral

Total

É pedra é pau
Man-infestação popular
Prá pular

E gritar

Palavras de ordem pró-progresso
Spray de pimenta
Para temperar seus olhos de vatapá

Pois tá...
Spray de pimenta
Pro seu olhar de acarajé

Pois é...
Do carurú ao Cariri
Do Oiapoque ao Itamaraty

Queimando, ardendo...
Amargas balas de borracha chá
Não é doce, nem é salgada dá

Não é Dadinho, nem Caramelo

Não é verde, nem amarelo

Não é Xaxa

Nem 7 Belo...
Não é Big Big, tampouco, Ploc!
É choque, é choque, é choque!
Protestar é imoral
E a bomba é de efeito total

Moral...

Plural!

Pros coletivos singulares
Protest-antes e depois 

Milhões de lágrimas  
Lágri-mais e mais
Gás...

Nem menos

Lacrimogênio

Lacrimo gênio
Raciocínio
Pro Neurônio

Sob domínio

Do escárnio político

Paleolítico
Protestar é imoral
A bomba é de efeito mortal

Letal!

Etecetera e tal...
E a cidade já chora de mais
Ácida-de já chora de mais

Nem menos

Lacrimogênio

Lacrimo Junho


Caranguejunior

*

Créditos da imagem: Olhares.pt
Lula Marques, por Lula Marques

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