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A Queda da Bastilha



Poema de Leila Krüger

Enfim perdi a batalha surda contra a própria mudez.
Enfim a inoperância de meus punhos
para esmurrar estes labirintos de ferro,
para desnudar o universo.

Enfim, voltei... enfim não sei mais!

Enfim me recolho com meus únicos próprios braços,
esperando, no entanto, que haja ainda alguma bondade
nestes pequenos fardos.

Enfim acato a tristeza como uma rosa frágil que é minha...

Enfim não espero nada,
mas acredito em tudo aquilo que não é passível de ser verdade.
Como sei agora,
posso embalar a verdade em meu colo
até que ela acorde, e me olhe.
Caso ela não fuja eu um dia a verei crescer...

Como os carvalhos antigos que arrebentavam o céu,
assim cresce a verdade em meu pequeno bosque.
Copas silenciosas, em nuvens vagarosas, em tardes apenas grenás.

Enfim, perdi...

mas chorei como quem vence. Então venci!


(Do livro A Queda da Bastilha, Leila Krüger, Confraria do Vento - Rio, 2012)


Disponível aqui: 


*

Créditos da imagem: olhares.pt

3 comentários:

  1. Leila Kruger,gostei do poema,porém muito,mas muito mesmo,dessa estrofe:

    Como os carvalhos antigos que arrebentavam o céu,
    assim cresce a verdade em meu pequeno bosque.
    Copas silenciosas,em nuvens vagarosas,em tardes apenas grenás.

    Esta estrofe,verdadeiramente é poética,o restante é meio ;encher linguiça,mas é bom.É apenas um comentário meu,particular,boa sorte na escrita.

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  2. Obrigada Mario. Bom, cada linha tem um significado pra mim... A poesia pode ser muito introspectiva, embora eu prefira a mais direta. Abracos!

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  3. Leila,não querendo ser arrogante,mas o objetivo do poema deve ser abertura de significados,tanto particulares,que se tornam universais,quanto de universais, que falam o simples dia a dia.Ainda é um particular meu,abraços.

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