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Conto de Maurem Kayna


Roberta chegou afogueada. Na mochila com estampa de girafinhas trazia os materiais solicitados pela professora – revistas para recortar, cola, tesourinha sem ponta e coisinhas coloridas garimpadas na caixa de costura da mãe.
Deixou sob a mesa as promessas de festa, e acompanhou impaciente as explicações sobre maçãs que se somam e podem ser repartidas com certo número de coleguinhas. O trabalho de colagem seria somente depois do recreio e a espera tirava gosto à merenda e às brincadeiras.

Quando espalhou sobre o tampo de fórmica os seus tesouros, sentiu-se pouco à vontade com a desordem da classe e de tantas coisas coloridas, mas não deu mostras do desconforto. Ao contrário, sua franja loira e bem cortada emoldurava uma expressão de calma, sempre capaz de conquistar a simpatia dos adultos.

Os grupos foram formados entre a euforia dos pequenos e a impaciência da professora, que orientou sobre os cartazes a serem preparados. Recortar em revistas amassadas os desejos para o futuro do planeta não atendia às expectativas de Roberta. Ela sonhara mais diversão - gostava especialmente das imagens de construções imponentes, de aviões estampados em céu ensolarado ou tratores em campos intermináveis. Imaginara um tipo de colagem para satisfazer seu gosto por cores, sem regras de tema, apenas as combinações mais aprazíveis é que interessavam. Já tinha brincado de fazer bichinhos de papel marchet e aquela chatice de cartolina verde para receber recortes desalinhados não era um estímulo para a aceitar a manhã de confinamento.&nbsp

Não foram os amiguinhos que notaram os papéis e cola abandonados. Quando a professora notou o lugar desocupado não identificou prontamente de quem era a ausência, mas a etiqueta em sua mochila ajudaria a localizar a mãe para dar a desagradável notícia.



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Créditos da imagem:
Alice, por Nunophotography

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