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Poema de rogério fernandes


só tens pés, mãos
braços também
rasgos, tensão, palavra surda, letra rúbia
pés saltados, crus sapatos de madeira
curvas de puro risco, e então...
outra volta num canto, espaço redemoinho
amarela, preta, vermelha, azul-neutra
/ alguém procura /
num susto / um cajón rasga o ventre de ébano
percussão a encharcar a terra
e já és vermelha, eras opaca?
/ num desenho estequiométrico/
entre tuas irmãs, irmãos
- cabelo apertado / puxando a ranhura da testa
e séria
e risonha
e dolorida
- mãos objeto -
- um bastão, um pente, uma escova
restos de um navio, um astrolábio, ferrugem de carro
uma fúria
coisas que fuzilam as entranhas da cidade /aqui estamos/
cansada, voltas friamente ao gesto
agora perdida, antes cheia de barro
grega, bebe do sangue, espanhola, grita e transpira
as luas e barcos em seu vestido
as frutas, os desenhos desmemoriados
sonâmbulas ao longo da praia, velas apagadas
naquela madrugada seu nome
o de outros, num papel de caderno
insiste em estar aqui / obstáculo encalacrado /

*

2 comentários:

  1. mtso8sar@gmail.com16 de outubro de 2013 20:53

    Ia dizer-tudo,menos um poema-,mas resolvi ler um segunda,e terceira vez,...sim....é um poema,mas temos de suplantar o que é evidente;escrito;para se ater ao intercambio das imagens,então é um poema,não belo,mas é.

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  2. Eu gosto. Metáforas, sombolismos, fantasias... sacode com cérebro e provoca o coração.

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