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Nota mental para a vida




Crônica de Aldrêycka Albuquerque!


Seus defeitos e fraquezas são propriedades sigilosas e intransferíveis suas. Identificá-los e tratar deles é necessário, mas que seja feito com cautela e privacidade. Ser honesto sobre suas falhas com o outro requer um nível de intimidade grande e ainda assim deve ser feito com parcimônia. E quem fala isso é uma pessoa que viveu a vida inteira falando aos quatro ventos seus medos, receios e defeitos. Eu pensava que verbalizar fazia parte do processo de aceitação e demonstrava probidade de caráter. Eu a todo o momento queria deixar claro ao outro quem eu era, cheia de defeitos e algumas virtudes. Isso me dava certa leveza e brilho nos olhos, mas do outro lado o cenário era diferente.

A teoria dos jogos é uma tática que foi inserida no nosso DNA e que praticamos até sem perceber. As pessoas (obrigatoriamente) ao se sentirem acuadas ou ameaçadas não vão pensar duas vezes em acertar no seu nervo. Naquele mesmo nervo que você expôs ao falar de si por aí. E eles não terão piedade. Muitas vezes serão tão sutis, que você nem sentirá a pancada. Só a tontura, o calor do sangue escorrendo, ou só o desmaio. Não que as pessoas sejam em tudo ruins, não que você mesmo não tenha feito algo do tipo com alguém algum dia. A questão é que a teoria dos jogos pode ser identificada todo santo dia, do diálogo mais comum às discussões mais acaloradas. Os argumentos serão construídos em cima dos pedaços vulneráveis dos partícipes. É uma tática tão usada hoje quanto nas tantas batalhas da História e até no reino animal. O ser mais frágil será sempre o alvo. O predador sempre irá perceber seu membro ferido antes mesmo de perceber você. Não existe, contudo, a total premeditação, a completa racionalidade nesses casos. Agimos assim por instinto, boa parte das vezes.

A maioria das pessoas pouco evoluídas enxerga pessoas melhores que elas como uma ameaça, e não uma inspiração. Se você se destaca em alguma área, se tem alguma habilidade incomum, ou simplesmente é diferente dos demais em alguma coisa, já será excluído do grupo. De forma intencional ou não, as pessoas entram em posição de defesa ao identificarem que são menores ou piores de quem quer que seja. Isso vale para marido e mulher, amigos, irmãos, pares no trabalho, qualquer relação minimamente de igualdade. A primeira reação ao se perceber pior que alguém, é o medo e a rejeição automática. Poucos conseguem manifestar (programaticamente ou não) o sentimento de admiração ou inspiração nesses momentos. Principalmente quando se trata de pessoas próximas, que não são idealizadas ou inatingíveis. Quando a figura referencial não está longe ou mitificada, como um guru, um líder ou ídolo, a principal reação é a “eliminação para sobrevivência”. O referencial precisa estar longe para evitar comparações. Deles próprios ou dos demais. Então resguardar a genialidade ou qualquer grau de inteligência é mandatório. Qualquer demonstração de conhecimento e iluminação deve ser feita com cuidado, em doses pequenas e apenas quando for expressamente necessária.

E por último, mas não menos importante, nunca subestime: a ignorância, o ódio, a inveja, a teimosia, a mentira, a audácia, a maldade, a falsidade do outro, bem como sua dor. Sempre que for possível ou houver espaço, as coisas ficarão piores. Viva com isso em mente e pronta para um plano de contingência.


Aldreycka Albuquerque
Recifense, vinte e poucos anos, ama ler e passa os dias tentando escrever algo que lhe convença. Tem blogs que servem de plataforma para seus eternos ensaios, tentativas de escrever o que sente, o que viu, o que pensa, o que cria... Em 2011 teve um conto publicado na coletânea CRÔNICO da editora Multifoco.

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Créditos da imagem: (pode deixar que eu preencho isso)
fotografo em porto alegre - rs - santiago - rs, por wilson icasatti ramires

Um comentário:

  1. mtso8sar@gmail.com13 de outubro de 2013 15:09

    Não há muito que comentar,o texto é de prescrição,mas...usando a descrição biográfica,se está tentando escrever o apetecível ,esta no caminho certo,pois escreve muito bem.

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