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Tempestade




Poema de Leila Krüger.


As folhas cansadas dançam o Quebra-Nozes na calçada;
o vento bravo corta a rua
- tal espada em pedra nua.

Grita todo o céu!
Mas não há mar.

Se houvesse mar, haveria sal...
E há apenas silêncio.

Poucos captam o silêncio...

Estes trovões bradando
- apenas silêncio.
Estes escuros duros
- apenas silêncio.
Estas águas velhas de gotas de espelho
- apenas silêncio, e rachaduras.

Capta o silêncio no incêndio da tempestade
- e não me apagues...




Do livro A Queda da Bastilha, Ed. Confraria do Vento, 2012.
Mais sobre o livro: www.leilakruger.com.br
Disponível em: www.saraiva.com.br, www.livrariacultura.com.br, livrariatravessa.com.br

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Crédito da imagem:
Somos folhas breves... (V), por Joe Taruga

3 comentários:

  1. Sensível este poema,Leila Krueger.Os poemas de imagens incrustadas,são os mais difíceis,e o seu conseguiu passar a sensação do fugidio,do cristalino levemente posto sob as formas mais irrelevantes.Um quadro bonito,eu diria,gostei.

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