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Tudo igual, mas nem tanto



Crônica de Giovana Damaceno.

A paisagem permanece a mesma. Tudo está no seu devido lugar.

A mata, as montanhas, o mar, as árvores, os patos, as gaivotas, os caranguejos, as abelhas, as moscas, as águas-vivas, o mangue, a lama do mangue. O vento fresco, às vezes gelado, dependendo da hora e da estação. Aquela ilha.

O casario, o comércio, os bares, as praças, as igrejas, as pedras, as cadeiras nas pedras, a quadra, a ponte, o rio. Os barcos, caiaques e pranchas. Os quiosques.

O pastel, a pizza, o sanduíche, a massa, a cerveja, o chopp, a água de coco e a água tônica, o peixe com batata e salada de palmito com tomate, o picolé, a batata de pacote. A caipiroska da Renata.

O garçom da lanchonete, os bêbados na frente do palco, as bandas de música, o vendedor de cerveja que dança para a Lua, os adolescentes que vendem bala desde que eram bebês. Os cachorros abandonados, perambulantes de asfalto, de pedras e de areia.

O cheiro também é o mesmo, sempre o mesmo. Aquele que sinto até quando não estou. Aquele que me desvia o pensamento, esteja onde estiver. Memória olfativa, se é que isso existe, de verdade.

A vontade de não voltar pra casa e passar a fazer parte daquela vida de lá.

Tudo igual. Menos eu.

*

Imagem: arquivo da autora

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