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Arquitetando a obra literária: a ideia




Artigo para a seção Escrita Criativa, por Suellen Moraes


O desafio de escrever o primeiro livro costuma ser um grande obstáculo na carreira do novo escritor. Outras vezes, o principiante consegue escrever uma obra inteira, mas questiona sua qualidade. Adquirir prática na escrita não é tarefa fácil, pois demanda tempo e esforço. No entanto, o escritor pode utilizar alguns métodos para ajudar na autoconfiança e na melhor estruturação de uma história.

Muitas pessoas têm ideias para uma história, mas nem todas se tornam escritoras. Isso quer dizer que muitas vezes uma ideia interessante não basta, é necessário saber desenvolvê-la de maneira interessante. Existem histórias triviais contadas de maneira interessantíssima que acaba por tornar a obra digna de atenção, porém, o contrário também pode acontecer, quando uma ótima ideia não ganha um enredo à sua altura e se torna uma história enfadonha. Em outras palavras: é o desenvolvimento de uma ideia que vai dar a ela êxito ou matá-la.

Portanto, a maneira como se desenvolve uma ideia é crucial. Mas da onde vem essa ideia?

Alguns podem apontar a ideia como fruto de inspiração, mas talvez o termo “insight” funcione melhor. Esse processo pode envolver uma busca ativa pela ideia e, portanto, um processo racional e consciente. Ou também pode sair de um momento de distração como um processo inconsciente. O fato é que as ideias são frutos de experiências, contato com pessoas, visita a lugares diferentes, leitura sobre novos assuntos, filmes e até mesmo acontecimentos banais do cotidiano podem servir de matéria prima para a literatura.

Ryoki Inoue, autor de mais de 1000 livros (!), aborda o assunto da seguinte maneira: “Um livro, como qualquer outro tipo de criação intelectual, parte sempre de uma ideia, de algum fato – concreto ou não – que nos impressiona e que nos leva ao desejo de criar alguma coisa sobre ele”.

Em seguida, ele divide a ideia em três ramificações: a ideia principal (o ponto central de um assunto), ideia complementar (complementa diretamente o sentido da ideia principal) e a ideia geral (o assunto em si).

Com base nesses três tipos de ideias, é necessário escolher a via tomada para criar o tema da obra. Se falta um insight para começar, pode ser mais fácil partir do geral para o particular, melhor dizendo, primeiro escolher a ideia geral para chegar à ideia principal. Quando há insight, normalmente o mais natural é o caminho inverso.

Story line: organizando a sua ideia

A partir da ideia, origina-se a story line, definida como a primeira apresentação dessa mesma ideia. Nesta etapa da criação, não é necessário se preocupar com o nome dos personagens, tempo e local da narrativa (a não ser que sejam parte do conflito da história). É apenas a exposição do conflito central, para se referir aos personagens, use termos vagos como uma mulher, um senhor, um professor; escreva sempre no tempo presente, mesmo que a história se passe no passado; e apenas mencione o espaço onde ocorre a narrativa se ele for importante para o conflito. Quanto ao conflito, ele deve ser apresentado de forma objetiva, bem como sua solução ou possível solução. Segue o exercício.

Exercício:

1 – Escolha um tema. Se necessário abra um jornal, uma revista, ligue a televisão e escolha um assunto que te chama a atenção. (será a sua ideia geral)

2 – O que você quer dizer? Por exemplo, se você escolheu como assunto a cura de uma doença, pense no que você gostaria de falar sobre essa doença. Se gostaria de explorar o drama vivido pelo doente, o drama vivido pela família, questões que envolvem o falecimento de alguém, a abordagem médica, fazer uma crítica ao sistema de saúde. Enfim, qual o ponto de vista que você quer adotar? (será a sua ideia complementar)

3 - Em seguida, imagine um conflito dentro do assunto escolhido. Não se preocupe com os personagens, apenas faça referência a eles de maneira vaga (uma mulher, um senhor, um adolescente...).

4 – Escreva o seu conflito em, no máximo, sete linhas.


Story line é a visão geral da história. Ao ter um panorama como esse, é possível observar se a ideia é boa e relevante, ou se já foi muito usada, se possui pouco impacto ou despertará pouco interesse no futuro leitor.



Imagem via Planeta Sustentável

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