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poemas lacanianos: os nós do eu




livro: claríssima

(1993-2003)

Parte II
(poemas lacanianos: os nós do eu)



pulsão de vida e morte

o que é esta sempre fome de amor que sinto
(e preciso)
ou de algo mais
(bem e mal)
isso que vive infinitamente e se move em mim?

fome de não sei o quê
fome que pulsa dentro
corrói, amedronta e se mata um pouco
num beijo sublime
ou neste qualquer coisa de possível:
reencontro imaginário do prazer



arte de amar

amar-te
é mentir-me

aos pedaços
teu nada
parece completar
o meu

esse invisível enigmático desconhecedor



desabafo

vivo, pai
perseguindo infinitamente
o encontro do sempre faltoso espaço
                                                          cavado em mim
por tua ausência



viver

olho o mundo
e vejo o eu lá fora
cantarolando por ter saído de mim


*

Créditos da imagem: (pode deixar que eu preencho isso)
Espelho, por Marina

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