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Foco narrativo: quem conta a história?



No post anterior falamos sobre a escolha do tempo verbal e sua importância para dar o estilo desejado à história. Outro ponto importante para decidir antes de começar a escrever é o foco narrativo. Ele irá indicar quem é o narrador e o seu papel dentro dos fatos contados.

Vejamos suas definições e características:

Narração em primeira pessoa: esse tipo de narração acontece quando o narrador também é um personagem da história e por isso poderá demonstrar maior envolvimento emocional com os acontecimentos e passar uma ideia de cumplicidade com o seu leitor. Alguns escritores até mesmo gostam de se dirigir ao seu leitor diretamente como se estivessem conversando com ele. Também é importante lembrar que nesses casos, nem tudo o que o narrador comenta ou pensa corresponde à verdade, pois ele está contando a história de um ponto de vista particular e parcial e por isso sua subjetividade interfere na exposição dessa percepção. Esse tipo de narrador pode se dividir em dos tipos:

Narrador personagem: o ponto de vista pertence ao protagonista e a história é centrada em si mesmo.

Narrador personagem testemunha: a perspectiva pertence a um personagem, porém não o principal, portanto ele faz suas considerações tanto como personagem como observador.

Narração em terceira pessoa: acontece quando o narrador está fora da história e apenas a observa. Ess foco narrativo permite uma exposição mais sóbria dos fatos, pois há pouco envolvimento emcocional com eles. Muitas vezes esse tipo de narrador apenas começa a contar a história, sem se apresentar ou explicar como conhece as pessoas envolvidas e por isso não adquire "forma humana" e sim incorpora uma consciência imaterial. Esse foco narrativo também se divide em dois tipos:

Narrador onisciente: é aquele que sabe de tudo sobre história e seus personagens. Conhece o passado de cada um e o relembra quando conveniente, pode expor sua previsão do futuro em algumas ocasiões, invade a mente dos personagens, sabe o que cada um sente e deseja.

Narrador câmera: é aquele praticamente imparcial, ele apenas conta o que vê e não sabe o que vai acontecer nem o que se passa na mente dos personagens. É preciso tomar cuidado para que esse tipo de narrativa não se torne massante, pois pode acabar sendo muito descritiva e longa.

Esses são os tipos tradicionais de focos narrativos e cabe ao autor refletir sobre qual atende melhor suas necessidades. Uma boa dica é escolher um narrador inusitado como por exemplo o narrador do livro A Menina que Roubava Livros, de Markus Zuzak:

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

O trecho acima pertence a primeira página do livro citado e faz parte da apresentação da narradora que mais adiante descobrimos ser a própria morte. Ela fala em primeira pessoa embora não seja exatamente uma personagem da história.

Por fim, tente construir um narrador que cative o leitor, pois isso será um dos fatores que o manterá envolvido com a história.

Fonte da imagem: apusm.com.br/

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