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Sair do lugar. Pra pensar




E ele voltou a sentar numa cadeira de faculdade mais de dez anos depois. Descobriu que poderia fazer algo por si, sem a preocupação neurótica de ter uma formação imposta pelo dever de sobreviver. Por meses revolveu a mente, até descobrir o que faria e lá foi, estudar por deleite.

Pode isso?

Sim, ele abraçou o próprio direito de se lançar no mundo acadêmico pelo simples prazer de aprender, trocar ideias, informações, saber, conhecer, ler, ler, ler. Vivenciou um universo paralelo, com seres e possibilidades jamais imaginadas no dia a dia de trabalhador que registra ponto na entrada e na saída – o homem-boi, tão bem definido por Taylor.

Sim, estudar por querer mais. Não querer o sucesso bem pago, ambicionado por tantos, mas a delícia da liberdade interior que o saber proporciona. Ser bem sucedido no poder de pensar, refletir, decidir, criticar, opinar, querer ou não querer, deixar pra lá, ignorar, obedecer, sem necessariamente respeitar.

Sim, decidir, com o saber adquirido, se quer crer nisso, se quer ouvir aquilo, se quer ir ali, se não quer ser desse ou daquele jeito, se quer opinar, se quer calar, se quer ignorar.

Sim, ser o que quiser ser! Ter este poder de escolha. Ser consigo mesmo o que desejar. Este o ganho que traz o conhecimento. Este o verdadeiro triunfo. Desvencilhar-se das amarras de uma educação tacanha, abraçar a perspectiva de ser mais, acreditar que é legítimo almejar, viver em plenitude, e ir avante.


E a felicidade nem lhe cabe. E parabéns pelo feito é pouco, pelo tamanho da conquista interior. É o saldo. É o que no fim das contas realmente vale a vida.

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Imagem: corbisimages.com

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